Comportamento
21/10/2016 3 min de leitura

Ativismo digital: a voz do povo

As redes sociais são um palanque tão importante quanto as ruas. E os nossos jovens estão sabendo muito bem disso.

Algumas pessoas mais velhas queixam-se às vezes de que os jovens são alienados, que não se interessam por política, que não saem do sofá para participar e que no seu tempo eles debatiam as questões importantes para o país e faziam a sua parte nas ruas. Tolinhos. Eles deveriam entrar mais na internet, onde a política se exerce digitalmente. É o ativismo digital – tecnicamente o processo de usar recursos da internet para criar e participar de qualquer tipo de ativismo, não só político, embora no Brasil esse seja o tipo mais comum.

A última pesquisa da agência F/Nazca, em conjunto com a cRica Consulting e o Datafolha, sobre os impactos da tecnologia na cultura e no consumo, mostra que o retrato que se costuma pintar do engajamento dos jovens não condiz com a realidade. Dos quase 30 milhões de ativistas digitais no país – ou seja, 26% dos internautas, e mais que o dobro de cinco anos atrás – 80% se envolveram com causas pelas redes sociais. Do total, metade também foi paras as ruas. Mais da metade também disse que as redes sociais podem fazê-los mudar de opinião sobre alguma causa social.

Com base nesses e vários outros dados, os pesquisadores concluíram que o fenômeno se espalha por todas as classes sociais e é feito basicamente por meio de smartphones. Embora esse tipo de contato tenha a desvantagem de não ser feito pessoalmente, tem a vantagem de permitir que se fale com um número muito maior de pessoas e até com desconhecidos – algo que dificilmente aconteceria na rua.

“Os números comprovam um fato tecnológico”, diz José Porto, diretor nacional de planejamento da F/Nazca. “As redes sociais vêm potencializando a capacidade de articulação da sociedade civil. Mais do que ter partido, as pessoas estão cada vez mais tomando partido pela internet, o que gera enormes impactos na forma de atuação de empresas e governos”.

“Outra coisa que se observa é o sentimento de que as redes sociais são um palanque tão importante quanto as ruas, talvez até mais”, comenta o jornalista Paulo Silvestre, do jornal O Estado de S. Paulo. “Dezenas de milhares de pessoas em uma passeata certamente causam um grande impacto, mas esses eventos não acontecem sempre, são pontuais. As redes sociais, por outro lado, estão continuamente no ar, e as postagens políticas de cada usuário têm potencial de se propagar rapidamente pela rede, seguindo os seus critérios”, acrescenta. “Dessa forma, graças à tecnologia, estamos assistindo a uma nova forma de se fazer política, que pode ser profundamente engajada, mesmo sem precisar sair do sofá”.

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