Segurança
26/07/2017 3 min

Divulgar fotos dos filhos na web: quais os riscos?

Da maternidade à ida para a escolinha, o ideal é não exagerar na exposição

Chega o grande dia, a mãe vai para a maternidade e em questão de dias ou até horas, a foto do filho já está nas redes sociais. Daí pra frente começa a rotina de publicações: chegada em casa, o banho, visita dos parentes e amigos, amamentação, soneca, uma nova pose, sorriso, os primeiros passos e outros diversos momentos. O problema de ir por esse caminho é que as crianças podem ficar superexpostas, e os pais, sem querer, podem abrir portas para pessoas mal intencionadas.

De acordo com dados da Safernet, ONG que recebe denúncias de cibercrimes contra os direitos humanos, o crime mais reportado em 2016 foi pornografia infantil, com 56.924 denúncias, 16% hospedadas no Facebook.

“Primeiramente é importante esclarecer que há autores de crime de violência sexual contra crianças e adolescente que não são pedófilos, mas pessoas que se aproveitam da convivência e laço de confiança com crianças para cometer abusos. Pedófilo é quem porta um transtorno de preferência sexual, o crime é cometer abuso sexual infantil, seja o autor pedófilo ou não. A mídia de um modo geral confunde esses termos”, esclarece Juliana Cunha, coordenadora Psicossocial da Safernet.

A vontade dos pais de compartilhar os momentos dos filhos ou fotos engraçadas com amigos e familiares é natural e compreensível, afinal ninguém espera que uma simples imagem possa trazer sérios problemas e dor de cabeça. Mas na internet, como em uma grande praça pública, uma vez publicada qualquer coisa, o controle sobre aquilo não está mais em nossas mãos.

Existem algumas dicas sobre as fotos, mas é impossível definir com precisão quais tipos de imagens chamam atenção dos criminosos. O que para os pais costuma ser inocente, em outro contexto e sob o olhar de alguém portador do transtorno de pedofilia, pode adquirir uma conotação diferente do contexto original. A recomendação dos especialistas da Safernet é que fotos que registram a intimidade e corpo da criança, por exemplo, com roupas de banho em praia ou piscina, de roupas internas como cueca e calcinha, e fotos para registrar alguma doença de pele próxima a região genital, que alguns pais tiram para mostrar a médicos ou familiares, não sejam divulgadas. A psicóloga Neusa Costa completa: “fotos que mostrem onde moram, estudam ou até mesmo com marcação de localização também não são indicadas”.

O importante é sempre pensar duas vezes antes de publicar qualquer coisa que possa deixar os jovens e crianças expostos. Se precisar de ajuda, vale a pena procurar o canal de ajuda da Safernet (www.canaldeajuda.org.br). O serviço de orientação psicológica para crianças, adolescentes, pais e educadores é gratuito e pode ser acessado anonimamente, o usuário ainda pode conversar em tempo real com a equipe de especialistas através de um chat. Para denúncia de aliciamento e/ou pornografia infantil, procure uma delegacia ou denuncie na central de denúncias da página da Safernet (www.denuncie.org.br).

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