Comportamento
22/02/2017 2 min

Excesso de tecnologia pode causar ansiedade

Em um mundo veloz e conectado, a ansiedade é um dos nossos obstáculos para uma vida saudável

O computador está ligado. E a mente também. Revistas e alguns livros abertos ao mesmo tempo. O celular não para de tocar. Uma dezena de abas abertas no navegador — você precisa de todas elas? Dedos clicando freneticamente o mouse para descobrir se um novo e-mail, um novo post e uma nova mensagem chegaram. Nenhuma notificação deve ser perdida. Olhos migrando da revista para a tela, da tela para o livro, do livro para outra janela, da janela do computador para a telinha do celular. E não deve ser difícil imaginar que você faça tudo isso com fone nos ouvidos.

A tecnologia moderna trouxe o carro elétrico, os e-books, o videogame, o smartphone e a obrigação de estarmos sempre conectados. Com isso, veio também a viciante possibilidade de nunca se desligar. Estar presente em todos os lugares ao mesmo tempo faz com que algumas pessoas sofram uma espécie de ansiedade tecnológica em situações onde há falta de controle emocional.

Considerado por especialistas como uma enfermidade dos tempos modernos, a ansiedade é um distúrbio que apresenta manifestação variável entre as pessoas e também pode estar associado à Síndrome do Pânico e ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 33% da população sofre com o problema em todo o planeta. Só nos EUA, o índice chega a 18% dos adultos. Treze entre 100 crianças e adolescentes norte-americanos de 9 a 17 anos também são afetados. Metade deles desenvolve algum distúrbio de ansiedade (por exemplo, uma síndrome do pânico pode favorecer o aparecimento de uma fobia social) ou outro transtorno mental, como depressão. Já o Brasil é um dos líderes no índice de transtorno, com 23% de pessoas.

Esse pacote de problemas da vida moderna acaba sendo filtrado pelo corpo e pela mente. No caso de crianças e adolescentes, agressões contra micros ou qualquer outra máquina tecnológica podem ser frequentes. Segundo a psicóloga clínica Nádia Rosi Reinert Marcelino, “os pais devem conversar que, por mais ansiosos que eles estejam não dá o direito de agirem dessa forma, orientar sobre a gerência das emoções, permitir que a criança se dê aqueles 3 segundos para respirar e cortar o ciclo ansioso que se instalou nele e principalmente ensinar o valor econômico que tem naquela tecnologia. O quanto aquilo custou para quem o presenteou com a tecnologia”.

Trata-se de uma nova “interface” do ser humano, que hoje já admite dizer que não consegue mais viver sem a Internet, sem as redes sociais, sem o computador e sem o celular. Nádia ainda relata que o problema atinge até profissionais ligados à área da saúde e alerta que “devemos olhar para nossas relações como um todo e mais especificamente a duração e frequência com que utilizamos esses aparelhos em nossas vidas. O que causa a limitação não são as tecnologias e sim o quanto a usamos. Tudo bem trabalhar com essas tecnologias para uma entrevista de emprego, por exemplo”.

Se você é uma pessoa agitada, talvez um celular conectado à rede em todos os momentos do dia não seja uma boa ideia. E que tal deixar para usar a web apenas no escritório? TV e notebook ao pé da cama são um convite para noites em claro. Já cogitou ir trabalhar de bicicleta? Paris e Milão já adotaram a magrela como sistema de transporte público. É um bom jeito de ficar algumas horas por dia longe do telefone e da internet.

A tecnologia também já nos presenteou com aplicativos gratuitos que podem ajudar médicos e pacientes na luta contra a ansiedade. Um exemplo é o App Pacifica, que permite que o paciente marque as tarefas realizadas ao longo do dia sem que tenha sentido qualquer problema. Além disso, o Pacifica disponibiliza exercícios de relaxamento e meditação, a fim de moderar a ansiedade. Segundo seus desenvolvedores, nos melhores momentos, a ansiedade é chata e desconfortável. Nos piores, é debilitante e isola as pessoas. Entendemos como pode ser desafiador se cuidar: é caro, exige tempo e para muitas pessoas as ferramentas não são acessíveis. Gratuito e disponível em inglês na Apple Store e no Google Play.

App Pacifica

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