Inovação
23/08/2016 4 min de leitura

Internet das coisas na prática

Até 2020 deverá haver 26 bilhões de dispositivos interconectados – e há quem preveja que esse número chegue a 100 bilhões.

Você vai dormir e muda o horário do despertador para as 6 horas, meia hora antes do normal, porque não pode se atrasar de jeito nenhum para dar uma palestra. No dia seguinte, porém, ele toca às 5h30 e você pergunta, enquanto já sente de longe o cheiro do café que está quase pronto na cafeteira: “Por que mais cedo?” A pergunta não é retórica, pois a televisão do seu quarto liga sozinha e apresenta o mapa do trânsito do seu caminho até o evento: se não sair meia hora antes, não vai chegar a tempo. O tráfego ainda está fluindo bem, mas isso vai durar pouco.

Antes de tomar o segundo gole de café, ainda com sono, a tela mostra que a polícia começa a interditar uma ponte pela qual você iria passar. Em menos de um minuto, tudo fica congestionado. Você coloca leite no café, faz um sanduíche de queijo com as últimas fatias de pão, prepara ovos mexidos e sai assim que pode. Chega no horário e quando volta para casa à noite, o mercado já entregou outro litro de leite, pão e ovos, que também haviam acabado.

Se a cena lembra aqueles velhos filmes de ficção científica que parecem tão irreais quanto impressionantes, prepare-se para acreditar que de irreal não tem nada. Essa situação é possível graças à internet das coisas – uma expressão nova, na moda, mas que a maioria das pessoas ainda não exatamente o que significa. De um modo simplificado, trata-se da comunicação entre máquinas, ou M2M. Mas até onde vai essa comunicação? Longe.

Na manhã da sua palestra, um grande número de sensores instalados no concreto da ponte percebe uma fadiga de material, uma rachadura que pode levar tudo abaixo. As autoridades recebem a informação sobre o risco e a interditam. Os semáforos são automaticamente ajustados para o novo fluxo, detectado também por sensores. Enquanto isso, seu despertador, conectado à agenda do seu smartphone, informado pelos imprevistos no trajeto, antecipa sua hora de acordar, e sua cafeteira começa a funcionar. Os sensores de sua geladeira detectam que o leite, o pão e os ovos acabaram e já encomendam a entrega ao mercado.

Segundo a consultoria americana Gartner, especializada em pesquisa tecnológica, até 2020 deverá haver 26 bilhões de dispositivos interconectados – e há quem preveja que esse número chegue a 100 bilhões. A Internet das Coisas, porém, é uma consequência natural do próprio desenvolvimento tecnológico, não uma ideia nova. Os caixas de uma rede de supermercados já se comunicam com a sede da empresa, que sabe em tempo real os resultados de uma promoção, o encalhe ou o sucesso de um produto. Softwares tomam decisões sozinhos sobre estoques e abastecimento de uma singela gôndola.

O que está tornando essa comunicação mais ampla é um conjunto de fatores, como a disseminação da banda larga e do wi-fi, a computação na nuvem e, principalmente os sensores. Os computadores já se comunicam entre si, mas os sensores fazem com que enxerguem e decidam por nós. Esse admirável mundo novo, no entanto, vai suscitar muitos debates sobre ética e privacidade – na medida em que sempre haverá seres humanos ávidos para lucrar com suas informações. E isso, sim, é muito mais imprevisível do que parece. Já pensou se um hacker invade sua geladeira – e de lá toda a sua vida?

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