Inovação
26/08/2016 5 min de leitura

Já ouviu falar do Big Data?

O que empresas, instituições e governos podem fazer com o Big Data?

Quando os computadores começaram a se tornar comuns nas casas e escritórios, não faltou quem previsse que os PCs reduziriam drasticamente o consumo de papel já que quase tudo poderia ser arquivado eletronicamente. Aconteceu o contrário, pois não se previu o desenvolvimento de impressoras cada vez melhores e mais velozes – e seu uso frequentemente exagerado e desnecessário. Muita gente também pensou que, com sua formidável capacidade de processamento, os computadores dariam conta sozinhos da enorme quantidade de informações que os alimentam. Nada mais longe da realidade. O volume de dados é tão grande, mas tão impressionantemente grande que os softwares mais modernos não são capazes de analisar. Desse modo, eles se tornam quase tão inúteis, por assim dizer, quanto um dicionário com as palavras fora da ordem alfabética.

Essa cordilheira – montanha é pouco – de informações é chamada atualmente de Big Data. Mais além, trata-se do que empresas, instituições e governos podem fazer com esses megadados, descartando o que não tem importância e usando o que há de melhor neles para tomar decisões estratégicas com mais antecedência e precisão. Parece complicado? E é mesmo. Por isso, nada melhor que um exemplo prático, como o da Netshoes, a maior empresa de comércio eletrônico de artigos esportivos do mundo. São 30 milhões de visitantes por mês no site da companhia em busca de algum dos 40 mil produtos disponíveis, de 32 categorias. O que fazer com tanta informação de tanta gente? A empresa contratou a SAS, uma das diversas empresas que oferecem serviços para lidar com megadados, com clientes em 140 países.

Com a chamada inteligência analítica, a SAS desenvolveu para o cliente uma infraestrutura para coletar e analisar o perfil do consumidor, dividindo-os em doze grupos, criando modelos e estratégias para atingir o público de uma forma mais personalizada. Isso alavancou as vendas. “Quando você personaliza sua ação, passando a oferecer o produto certo, na hora certa e para a pessoa certa, você melhora seus resultados”, afirma o gerente de marketing da Netshoes no Brasil, Rogério Castro. Quando uma pessoa entra no site, o sistema monta ofertas de acordo com esse perfil, com a navegação e com os produtos de interesse.

Os computadores, porém, não fazem isso sozinhos. É onde entra o ser humano para desenvolver softwares, infraestrutura e ferramentas para reunir as informações de modo que os computadores possam utilizá-los e analisá-los e fazer previsões. Não é um software que se compra on-line, mas uma ciência – o que requer, evidentemente, cientistas. O trabalho é como se fosse astrologia, só que com dados em vez de planetas. E não é apenas para vender melhor. Bancos usam para se antecipar a tentativas de fraude. Governos podem melhorar serviços públicos.

A empresa aérea TAM, por exemplo, usa o Big Data na manutenção dos aviões, antecipando em até um ano e meio mão de obra e peças de manutenção. “Esse planejamento com Big Data tem um índice de precisão de 98%, e o aumento da produtividade é de 11%”, disse ao jornal Folha de S. Paulo o gerente sênior do Centro de Controle de Manutenção da empresa, Maurício Pascalichio.

O mar de informações tá aí, para quem aprende a nadar nele, há muitas possibilidades.

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