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17/11/2015 4 min de leitura

Jogos on-line invadem a sala de aula

O uso positivo da tecnologia de jogos on-line pode ser um facilitador para a aprendizagem.

Segunda-feira, aula de Português e todos os alunos do sexto ano com os tablets e smartphones em mãos jogando e teclando uns com os outros. Cena que acenderia o botão de alerta de muitos educadores, mas não é o que acontece na sala da professora Marlene Campos.

Quem vê de longe pensa que os alunos estão matando aula, distraídos em seus mundinhos virtuais. Mas o que acontece nesta escola é que os dispositivos digitais ganharam passe livre, com direito à carta de boas vindas. Desde 2014, o Colégio Bandeirantes, em São Paulo, adotou os tablets como material didático e está investindo fortemente nos jogos on-line como ferramentas de ensino.

“A ideia é oferecer uma gama de aplicativos e jogos diferenciados porque a gente acredita muito que cada aluno tem um estilo de aprendizado diferente. Tem aluno que se dá melhor com jogo de mapa mental, por exemplo, outro que prefere produzir pequenos vídeos. Então, ele vai encontrando nesses aplicativos ferramentas que o auxiliam a aprender”, afirma Sílvia Vampré, coordenadora de Tecnologia Educacional do colégio.

Para a professora Marlene Campos, os jogos são a isca certeira para fisgar a atenção dos mais jovens. “Este é o universo deles, então, desde que começamos a usar esses joguinhos, observamos que houve um envolvimento e interesse maior por parte dos alunos”, conta.

Os joguinhos citados pela professora são os chamados Flashcards, uma tecnologia on-line que substitui os cadernos e a cartolina. A ferramenta funciona como um jogo da memória, só que mais visual e interativa. Com a tecnologia, os alunos podem criar seus próprios slides para treinar vocabulário e aprender idiomas. De acordo com a aluna Elisa Su, de 11 anos, a ideia de aprender brincando funciona bem. “É melhor do que ficar olhando para o papel”, explica ela.

Embora os jogos engajem o aprendizado, ainda são um desafio para os educadores, admite a coordenadora Sílvia Vampré. Com a Internet liberada para alunos e professores, o colégio aposta em um trabalho de orientação sobre o uso consciente da internet. “A gente sabe que o tablet é um instrumento de diversão e distração e a gente sabe do caráter viciante dele também, mas a nossa política é de não bloquear nada aqui no colégio. Trabalhamos com o conceito do aluno ter liberdade e assumir as consequências”, afirma ela.

O exemplo dado mostra um uso positivo da tecnologia, ela pode ser um facilitador para a aprendizagem. Porém, junto com a adoção de novas tecnologias, é preciso que as escolas também adotem novos métodos de ensino. Como alerta o professor e pesquisador da UERJ Henrique Sobreira numa entrevista: “Nós ainda estamos numa fase de usar a tecnologia para fazer as coisas velhas. Ou seja, fazer melhores provas, fazer o aluno prestar mais atenção, fazer o professor dar melhores aulas.” O interessante das tecnologias em sala de aula é a oportunidade de mudar a própria dinâmica entre professor e aluno, fomentando novos modos de aprender e construir conhecimento.

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