Educação
30/11/2016 3 min de leitura

Linguagem de programação: o novo inglês das escolas

A programação tem a ver com humanidade, é uma das maneiras que encontramos para ajudar pessoas.

A programação tem a ver com humanidade, é uma das maneiras que encontramos para ajudar pessoas. Programar é também colaborar com o desenvolvimento contínuo e gradual de crianças, mulheres, adultos e idosos. É manifestar a pura inteligência da tecnologia presente nas compras, educação, ensino, entretenimento, esportes, finanças, foto e vídeo, música, notícias, jogos, entre uma série de outras categorias. A programação ajuda milhares de indivíduos a se comunicar, organizar e se entreter todos os dias.

Para uma geração nascida em plena era digital, tem sido cada vez mais difícil se distanciar de celulares e aparelhos eletrônicos em sala de aula. As gerações Y e Z não querem mais ser engolidas por ideias reproduzidas. Hoje, mais do que nunca, a nova geração de pensadores quer gerir essas ideias e compartilhá-las.

Por isso, na educação o ensino de programação e robótica torna-se cada vez mais presente. Além do surgimento de escolas especializadas, muitos colégios têm a proposta em suas atividades curriculares. O ensino de programação estimula a criatividade, a autonomia e desenvolve o raciocínio lógico e a capacidade de resolução de problemas e trabalho em equipe. Se você souber que um daqueles games que você costuma jogar no tempo livre foi criado por uma criança não se espante. Isso é possível e está se tornando cada vez mais comum em diversos países, inclusive no Brasil.

Muitos projetos como o Scalable Game Design estimulam o “raciocínio computacional”, com base em exercícios de lógica e algoritmos, para programar jogos e simuladores. Desde 2010, a professora Clarisse de Souza realiza a versão brasileira do projeto e afirma: “O ponto é que todos precisam poder criar o que tiverem na cabeça. Há uma grande mudança entre ser produtor e consumidor de tecnologia, e isso tem de começar na escola”.

É o que acontece com o Code Wars, uma proposta que objetiva levar conhecimentos de programação às crianças de escolas públicas com oficinas e instrutores orientando os estudantes em plataformas digitais em temas como matemática, interpretação textual e fundamentos de programação. O projeto obteve resultados muito satisfatórios e vem demonstrando aumento das notas dos alunos a partir do momento que educar deixa de ser a pura reprodução de pensamentos e torna-se a criação e realização de ideias por meio da programação.

Ainda em relação ao Brasil, crianças e adolescentes podem ter acesso a esse ensino através das escolas de programação especializadas como a Happy Code, onde alunos de 6 a 17 anos podem aprender a criar aplicativos, jogos e também a construir drones. Além das unidades próprias, o ensino também vem se expandindo com o Modelo In School, que oferece as aulas como atividade extracurricular.

Ter uma ideia e então vê-la em sua mão e poder compartilhá-la com outras pessoas é o que há de mais valioso no ensino da linguagem de programação, o novo inglês das escolas. As crianças, hoje, já nascem imersas em um mundo digital, mas, ao contrário do que se possa imaginar, elas não conhecem o funcionamento desse mundo, apenas utilizam suas ferramentas passivamente. Por isso, aprender a linguagem da programação é tão importante quanto aprender a ler e a escrever. É claro que para isso é preciso investir na formação dos professores e também dotar as escolas de infraestrutura adequada. Assim sendo, a escola que fomentará a construção do Brasil do futuro não é apenas aquela que consome tecnologia, e sim aquela que será capaz de formar jovens criadores de tecnologia.

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