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03/08/2016 2 min de leitura

Livros digitais: ler ou não ler, és a questão?

It’s a book.

Não é preciso falar inglês para entender a frase acima. Para a maioria das pessoas, vem à cabeça imediatamente a imagem de uma coleção de folhas de papel impressas e encadernadas com uma capa, provavelmente dura. Não é à toa que a ideia seja tão instantânea. Afinal de contas, faz mais de 550 anos que book, seja qual for o idioma, tem esse jeitão, desde que o alemão Johannes Gutenberg inventou uma máquina e com ela produziu o primeiro livro impresso da história, a Bíblia. Era de se esperar, por isso mesmo, que o surgimento dos livros digitais em pouco tempo poriam fim à hegemonia do impresso.

As vantagens dos e-books pareciam insuperáveis – dos ambientais, com a redução na derrubada de árvores, aos práticos, como poder levar na bolsa uma biblioteca inteira. As livrarias começaram a entrar em pânico em 2007, quando a Amazon lançou o Kindle e vendeu em apenas cinco horas e meia o estoque que seria para durar meses. Entre 2008 e 2010, as vendas de livros digitais cresceram impressionantes 1.260% nos Estados Unidos. No ano seguinte, a rede de livrarias Borders, que tinha mais de 500 lojas no país, foi à falência, fechando as portas de todas as suas unidades. A previsão na época era de que hoje as vendas de e-books ultrapassariam a de suas versões em papel. Mas não foi nada disso que aconteceu.

Depois desse sucesso espantoso, as vendas pararam de subir e acabaram estacionando, não só nos Estados Unidos – atualmente 20% do mercado – como no resto do mundo. No Brasil, o crescimento que já foi de 30% há alguns anos, caiu para 12% no ano passado. Na Europa, o fenômeno se repete. Mas há exceções. Na Espanha, por exemplo, as vendas de livros digitais têm aumentado, assim como no México e na Argentina, mas nada que possa ser considerado expressivo. É impossível, no entanto, fazer comparações porque cada país faz levantamentos diferentes e nunca divulgam todos os dados disponíveis. Uma coisa, porém, é certa: o livro em papel está longe de perder a preferência das pessoas. Mesmo os mais jovens, que já nasceram na era digital, parecem preferir o velho formato de Gutenberg, segundo algumas pesquisas. Mas principalmente os que gostam de ler. Os que leem eventualmente preferem o e-book.

“Uma vez, um livro me encantou tanto que li sem parar durante 18 horas. Nunca tentei, mas acho que não chegaria nem à metade desse tempo lendo na tela de um tablet”, disse ao Dialogando a estudante de serviço social Erika Bismarchi. “Cansa muito ler numa tela”. Erika sempre teve computador em casa, é plugada 24/7, resolve toda a sua vida no smartphone, inseparável da hora que se levanta até dormir. “Eu cresci com o computador, mas também com os livros”, acrescenta ela. “Com o livro em papel dá para conversar: você abraça, grifa, marca página com post-it, faz anotações na margem, empresta para um amigo e pega emprestado.” Segundo ela, a relação com o livro em papel é íntima; com o e-book, embora dê para fazer algumas dessas coisas, é formal.

A opinião de Erika encontra respaldo na ciência. Para começar, não faltam estudos apontando que a leitura em dispositivos causa fadiga ocular, o que representa irritação na vista, desconforto e até dor. Um estudo da Universidade Stavanger, na Noruega, sugere que a leitura em papel favorece o foco e a retenção da informação. Quem lê numa tela tende a compreender menos e se esquecer do conteúdo mais facilmente. Mas por quê? “Quando se lê no papel, você sente nos dedos uma pilha de folhas crescendo à esquerda e diminuindo à direita”, respondeu ao jornal inglês The Guardian a pesquisadora-chefe do estudo, Anne Mangen. “Você sente o progresso no tato.”

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