Inovação
08/05/2017 5 min

O carro do futuro

Tecnologia para melhorar o trânsito

O primeiro robô totalmente autônomo está prestes a fazer parte rotineira da sua vida. As previsões oscilam entre 2020 e 2030, no máximo. Mas se você está imaginando agora um humanoide pronto para fazer todos os serviços de casa, de limpeza a comida, está enganado. O primeiro robô vai ser um automóvel. Sim, isso mesmo, um carro que não só não precisa de motorista – mas que o dispensa totalmente. Num protótipo da Mercedes-Benz, não há nem volante, e os bancos dianteiros aparecem virados para trás para que todos os passageiros possam conversar olhos nos olhos.

Para muitos, imaginar essa situação pode até causar desconforto. Afinal, o automóvel é um ícone, um objeto de quase veneração e, portanto, é parte importante do prazer poder controlá-lo, dirigi-lo, decidir quando acelerar e quando reduzir, por mais irracional que isso seja. Na verdade, convenhamos, é um contrassenso usar mais de uma tonelada de aço para transportar uma pessoa de 70 quilos – responsável no final das contas por 93% dos acidentes, segundo um estudo do governo americano. Especialistas preveem que a introdução do automóvel autônomo vai mudar não só as estatísticas de mortes no trânsito, mas toda a relação entre o ser humano, a máquina e a vida nas cidades.

 

Mobilidade urbana

O futuro com apenas carros autônomos nas ruas vai promover uma grande transformação na mobilidade urbana. “Serão criados novos serviços em que as pessoas serão levadas de porta a porta, virtualmente sem nenhuma parada, em um veículo confortável para até quatro pessoas”, disse ao jornal inglês The Guardian Stan Boland, CEO da FiveAI, que fornece softwares de inteligência artificial para empresas como Volvo e Ford. Estudos sugerem uma queda de 90% no número de acidentes, 40% nos congestionamentos, 80% em emissões de poluentes e 50% de melhora no espaço para estacionar. “Quando há um acidente simples, os motoristas tendem a reduzir a velocidade para dar uma olhadinha”, diz Boland. “Só isso já causa congestionamentos que não acontecerão com um veículo autônomo.”

Posse do veículo

Quando compram um automóvel, as pessoas compram junto o prazer de dirigir. Sem precisar colocar as mãos no volante, perde um pouco a graça possuir um carro – sem contar as facilidades que já existem de serviços como o Uber. Uma pesquisa feita com 800 executivos do setor automotivo em 38 países mostra que 59% dos entrevistados esperam uma grande queda na venda de automóveis até 2025. Eles acreditam que mais da metade das pessoas que possuem um carro hoje não vão mais ter um em menos de dez anos.

Novas cidades

Em países com bom serviço de transporte público, segundo um estudo britânico, um carro fica desligado 96% do tempo e apenas 4% em movimento, segundo afirma o professor John Naughton, da Open University, Inglaterra. Ele diz que a evolução tecnológica pode mudar a configuração das ruas. Ele ressalta que hoje em dia as cidades estão projetadas para os automóveis, que a maior parte do espaço é para eles, seja para trafegar, seja para estacionar. Com menos automóveis, mais compartilhamento e menos posse de veículos, o espaço urbano pode ganhar uma nova face.

Novas marcas

O mercado automobilístico vai mudar completamente, e isso já se percebe. Com a automação do carro, ele vai deixar de ser um motor com um bonito e seguro envoltório, para ser mais tecnologia de mobilidade aplicada numa máquina. Empresas como Google, Apple e Intel estão entrando no mesmo mercado. Não é à toa que indústrias como Ford, GM e BMW, apenas para citar algumas, têm investido pesado em inteligência artificial. Especialistas, no entanto, não acreditam em uma concorrência predatória, mas em cooperação com parcerias. “Veremos uma colaboração estratégicas entre indústrias”, afirmou Luca Mentuccia, diretor da consultoria internacional Accenture, ao jornal inglês Observer.

Carros elétricos

Executivos da indústria automobilística preveem que 90% dos automóveis serão movidos a energia elétrica até 2025, para isso esta investindo muito nessa nova tecnologia. Eles acreditam que o diesel será o primeiro a desaparecer da face da Terra, em muito pouco tempo, por causa do seu alto impacto ambiental. Por outro lado, eles afirmam que a disseminação dos veículos autônomos e movidos a energia limpa é algo que vai acontecer primeiro onde há mais investimento, como os Estados Unidos (onde morrem 100 pessoas por dia em acidentes de trânsito) e Europa.

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