Comportamento
24/02/2017 3 min

Obesidade e tecnologia

A obesidade – fator de risco para doenças do coração, diabetes, problemas ortopédicos e alguns tipos de câncer – é uma questão de saúde global. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 2 bilhões de adultos estão acima do peso ou são obesos. O problema atinge até crianças com menos de 5 anos: são…

A obesidade – fator de risco para doenças do coração, diabetes, problemas ortopédicos e alguns tipos de câncer – é uma questão de saúde global. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 2 bilhões de adultos estão acima do peso ou são obesos. O problema atinge até crianças com menos de 5 anos: são 42 milhões em todo o mundo. Quando esses números alarmantes são colocados em discussão para a população, não falta quem aponte o dedo para a internet como culpada pelos vários quilos a mais de um número cada vez maior de pessoas. Será?

A ciência ainda está tentando responder essa pergunta, mas ainda não há uma conclusão. Há mais dúvidas e novas perguntas do que certezas e respostas. De fato, há vários estudos que estabelecem uma relação entre ganho de peso e uso do computador e da internet. Mas é só uma relação, na opinião de Corneel Vandelanotte, pesquisador do Instituto de Pesquisa em Saúde e Ciência Social da Universidade Queensland, na Austrália, uma das primeiras a pesquisar o tema, há quase dez anos.

Para ele, a pergunta a fazer é o dilema do Tostines: “A pessoa engorda porque usa a internet ou é o obeso que fica mais tempo no computador? ”, questiona. “É difícil dizer, mas uma explicação provável é que as pessoas que usam mais a internet também têm outros hábitos sedentários”, acrescenta Vanderlanotte. “Se eu corro uma hora por dia três vezes por semana, mas assisto à televisão o resto do dia, eu sou um sedentário”. Segundo ele, pequenos hábitos da vida diária podem mascarar os resultados de uma pesquisa.

Um estudo na Suíça tentou resolver essa dúvida. Os pesquisadores do Instituto de Medicina Preventiva do Hospital Universitário de Lausanne acompanharam durante dois anos um grupo de 621 adolescentes entre 14 e 16 anos. No começo do estudo, uma parte deles estava no peso normal, e outra estava acima. No final do trabalho, aqueles que já tinham uns quilos a mais engordaram com o uso maior da internet, ao passo que aqueles que estavam em dia com a balança não tiveram alteração. “O uso da internet no máximo reforça uma tendência preexistente à obesidade”, concluiu o estudo, que ajuda a reforçar a hipótese de Vanderlanotte.

Na verdade, a tecnologia pode até ajudar a combater o sedentarismo e a obesidade. É nisso que acredita um grupo de pesquisadores da Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos. Eles anunciaram no ano passado uma experiência com alunos da universidade – todos usuários intensos da internet – para estimular a atividade física usando uma rede social, e-mails e um software de monitoramento. A meta era dar 10 mil passos por dia, melhorar a dieta alimentar e controlar o peso.

O rastreador dava retornos em tempo real, e era na rede social, em grupos fechados, que os estudantes trocavam informações e recebiam dicas de como melhorar a alimentação e o nível de atividade física. Como o estudo está ainda em sua primeira fase e o grupo de alunos era heterogêneo, os pesquisadores não querem generalizar os resultados em números, mas afirmam que deu certo e que vale a pena investir mais em modelos tecnológicos para educar contra a obesidade, transformando a internet de vilã em heroína.

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