Inovação
14/06/2017 3 min

Os robôs vão roubar o seu emprego?

Em um mundo em que cada vez mais os androides ganham vida própria, como fazer para tornar esses mecanismos aliados dos humanos?

Máquinas que contam histórias para crianças, realizam videoconferências, identificam emoções, interagem de modo correspondente, ajudam a abrir garrafas, girar uma chave na porta, remover obstáculos, colocar os copos na lava louças e a jogar o lixo fora! Carros que dirigem sozinhos, realizam serviços de entregas, softwares cuidadores de idosos e “serpentes” cirurgiãs. O avanço da tecnologia faz com que as pessoas comecem a questionar até que ponto são úteis para seus empregos atuais já que as máquinas estão cada vez mais inteligentes e prontas para trabalharem incansavelmente sem a necessidade de receberem salários, benefícios e todo o resto que um humano precisa. A nova tecnologia vai ajudá-los a trabalhar de forma mais eficiente ou vai colocar seus empregos em risco? E o que acontece com as pessoas que executam as mesmas tarefas que esses robôs?

Para responder essas perguntas precisamos falar sobre emprego híbrido. Emprego híbrido implica em desenvolvermos uma convivência amistosa com automação em tarefas rotineiras. Rotina quer dizer repetição. O que inclui organizar sempre as mesmas prateleiras, classificar sempre os mesmos objetos, redigir sempre o mesmo exame, inferir sempre o mesmo contrato, girar sempre a mesma chave. Serviços repetitivos a automação já faz, mas ao mesmo tempo em que os postos de trabalhos tornam-se alvo dos robôs, novas profissões são criadas graças ao impulso tecnológico que a máquina gera. Os robôs, portanto, não vão roubar o seu emprego, mas sim gerar mais oportunidades.

Pesquisa de James Bessen (Boston University) revelou que, desde 1980, empregos nas ocupações que “usam computadores” cresceram mais do que as que não usam. Ou seja, a automação quer dizer mais produtividade e menor custo e isso pode gerar mais empregos não menos. No emprego híbrido as habilidades entre máquina e humano se combinam. Nele, o humano atua como “tutor” da máquina, acompanhando ondas tecnológicas.

Grande parte do debate em torno da automação ignora o fato de que a maioria é parcial – que nem todo o trabalho é assumido pelas máquinas. De fato, apenas uma das 270 ocupações listadas no censo de 1950 foi eliminada graças à automação: operadores de elevadores.

As tarefas não automatizadas restantes podem se tornar mais valiosas. Isso ocorre porque a automação é suscetível   de assumir tarefas mundanas ou repetitivas, dando mais tempo aos profissionais para fazerem as coisas que realmente exigem suas habilidades. Por exemplo, no domínio da saúde, se a triagem da maioria das condições pode ser automatizada, as salas de emergência podem permitir que os médicos se concentrem em casos especiais, aumentando o número de diagnósticos corretos e pacientes tratados, além de fazerem diagnósticos e planos de tratamento mais personalizados, já que tem acesso a grandes bancos de dados do mundo todo.

No curto e médio prazo, o principal efeito da automação não será necessariamente a eliminação de postos de trabalho, mas a sua redefinição. À medida que as habilidades e tarefas exigidas na economia mudam nossa resposta não deve ser o alarmismo ou o protecionismo, mas um investimento estratégico na educação.

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20 Comentários

  • Wellington disse:

    A grande questão é que os robôs não vão ficar só nas tarefas repetitivas , eu li um artigo onde já existem softwares advogando , fazendo análise de crédito em uma grande instituição financeira , pintando belos quadros , ou seja isso é oq temos acesso, imagine o que existe por trás nos bastidores , sinceramente a humanidade vai passar por um período sombrio , nenhum emprego estará garantido no futuro , as maquinas vao evoluir assombrosamante , e quem acha que vamos fazer manutenção em robôs está totalmente enganado , jah existem robô aprendendo com robô se auto replicando , então vai ser sinistro nosso futuro .

    • Dialogando disse:

      Wellington, todo robô tem uma programação humana por trás ?
      Precisamos construir o diálogo entre a sociedade para chegarmos num futuro de harmonia entre os humanos e os robôs!

  • Vitor disse:

    Robô não consome, robô não anda de carro,robô não viaja, não casa, ou seja se o robô dominar o mercado onde o ser humano vai conseguir seu sustento? Nem todos são engenheiros ou médicos…nem todos tem condições de estudar numa Universidade…E como fazer?

    • Dialogando disse:

      É por isso que precisamos encontrar o melhor caminho para a convivência entre humanos e robôs, Vitor!

  • Raquel disse:

    Bom, somos seres racionais que temos vidas próprias não vejo porque competir com robores máquinas.. podemos ser muito além de robores podemos ser mais sábios em nossas escolhas podemos fazer mais ir bem mais além.. apesar basta nós colocarmos algo , supostamente fazer planejamento estudar e não perder tempo para a vida, pois ela não para precisamos ir além e estudar fazer a diferença é o foco

  • Vera favari disse:

    Brihantemente seu artigo, traz o melhor esclarecimento sobre o assunto. Se as profissões não são mais as mesmas, por exigência da própria razão humana, que já não é a mesma.

  • Nereu disse:

    Importante alerta a todos. Excelente matéria.
    Para muitos não há mais tempo, tais transformações já vem ocorrendo a tempo. Fica o alerta aos jovens, e a seus pais para que bem orientem seus filhos na direção destas mudanças inequívocas.

    • Dialogando disse:

      Muito obrigado, Nereu! Vamos continuar de olho nas mudanças e sempre promover o diálogo.

  • Norberto Oliveira disse:

    Falo isso a muitos anos. Todos acham lindo, maravilhoso, robôs fazendo todas as tarefas por nós. Que devemos investir na educação e as atividades irão sendo adaptadas a medida que os robôs forem substituindo os humanos, mero engano! Com os crescimento de 1 bilhão de pessoas a cada década, milhões ou até bilhões não terão atividade para exercer. É só aguardar…

  • Vinicio disse:

    Não sou do ramo da robótica . Mas é incrível como um pingo é letra para um bom entendedor.
    Acima se lermos detalhado, resumidamente fala sobre novas profissões que irão surgir com vindas de robôs , expectativa de vida irão aumentar, não perderemos mais tempo em trânsito porque com a tecnologia irão existir robôs para fazer isso por nós e com esse tempo ao invés de desperdiçar indo a reuniões poderem fazer a própria reunião dentro dos automóveis. Isso é parte, mas achei genial . Ótimo artigo!

    • Dialogando disse:

      Muito obrigado, Vinicio! Quem sabe o que nos aguarda no futuro, não é mesmo?

  • Mauro negrão disse:

    Lamentavelmente o espírito humano, empatia, amor ao próximo e valores básicos que construíram a civilização até hoje serão substituídos por instruções e algoritmos. The Machine irá conectar tudo com todos o tempo todo. Não haverá mais barreira entre internet e nossa vida real. Nada mais será como foi até agora. A geração atual de milleniums (20 a 35 anos) em grande parte já demonstra uma total falta de empatia e desprezo por valores básicos e acham até brega falar de paz e amor.São defensores de grandes causas anônimas mas não ligam a mínima para seu vizinho desempregado. Ironicamente muitos destes jovens serão devorados pela Máquina exatamente por não terem educação adequada e nenhuma capacidade criativa, só conseguem copiar dos outros e curtir mídia social. Toda essa mediocridade crescente será o combustível para acelerar a substituição de muitos empregos com tarefas repetitivas por robôs inteligentes que não precisam de CLT e nem de férias. Quem não estudar e ficar perdendo tempo na mídia social trocando beijinhos em selfies, com certeza não terá muitas chances daqui a 10 a 15 anos. Sim, creio que as máquinas aumentarão a produtividade dos humanos mas os pobres humanos com pobreza de espírito já estão preparando o terreno para o domínio da Máquina. Para quem tiver coragem, recomendo assistir Black Mirror no Netflix, uma série de terror científico que explora bem onde a tecnologia sem controle pode chegar, agora e no futuro bem mais próximo que podemos imaginar. Salve a raça humana, salvem a amazônia, salvem o planeta. Os robôs não terão os mesmos sentimentos então aproveitem a vida ao máximo antes que implantem um chip no seu cérebro. Que Deus nos proteja.

  • luis gustavo mendonça de camargo disse:

    A I.A. é extremamente importante na minha visão no que cerne o ambiente da medicina, pois seria de muita valia para tratamento de doenças raras e de pouca possibilidade de cura, especialmente o câncer. Mas entendo que na história da humanidade sempre foi “mais fácil destriur, do que construir”, portanto os efeitos nocivos que os humanos levam os seus atos em tentar acabar com seus semelhantes ou a própria natureza é deveras preocupante…

    • Dialogando disse:

      Luis, com muito diálogo nós podemos construir uma sociedade melhor ?

  • Ludimila disse:

    Alunos da escola pública onde trabalho precisam de palestras sobre esse assunto! Preciso de um voluntário. Alguém se dispõe? ludimilajsantos@gmail.com

  • Francinei disse:

    É PRECISO LEMBRAR, ANTES DE TUDO QUE SOMOS O CRIADOR E NÃO A CRIATURA. ISSO FAZ DE NÓS HUMANOS E RACIONAIS.

  • Jalmere disse:

    A educação é realmente o ponto estratégico.

    • Dialogando disse:

      Agradecemos o comentário, Jalmere! Confira mais textos do Dialogando na área de Inovação ?

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