Sustentabilidade
06/01/2017 2 min de leitura

Perigos digitais: para reconhecer uma notícia falsa, acenda a luz

A expressão “navegar na internet” nunca foi tão adequada como nos dias atuais

Quando um farol é aceso no mar, seu alcance luminoso pode chegar a 10 milhas em média. Quando uma notícia falsa é lançada nas ondas da internet, seu alcance é tão grande quanto os efeitos negativos sobre as pessoas que absorveram as informações. A expressão “navegar na internet” nunca foi tão adequada como nos dias atuais. “Notícias falsas” é um tema que vem recebendo muita atenção, ultimamente, graças ao papel que o Facebook e outras plataformas sociais desempenham no consumo de notícias diário das pessoas e a forma como pretendem combater a disseminação de informações enganosas. Um estudo de Stanford mostra que a maioria das pessoas não sabe quando uma notícia é falsa.

De acordo com os pesquisadores da universidade, mais de 80% dos estudantes entrevistados não sabem distinguir um conteúdo patrocinado ou “publicidade nativa” de uma notícia real. Eles também tiveram dificuldade em determinar se uma notícia compartilhada em mídia social era verdadeira e basearam sua decisão em elementos estranhos ou até mesmo, irrelevantes. Sites para criar e compartilhar notícias falsas já são comuns e espalham mentiras engolidas pelas ondas digitais com o click motivado pela curiosidade. No Facebook, o tema tem causado polêmica. O site foi duramente criticado após a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos, quando usuários, pesquisadores e colunistas de jornais americanos afirmaram que notícias falsas sobre os candidatos podem ter influenciado a escolha dos eleitores. Os críticos afirmam ainda, que a empresa não toma providências suficientes para impedir que grupos políticos espalhem boatos na rede. Após a polêmica, o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou planos para combater a circulação de notícias falsas na rede social. Em uma publicação em seu perfil, Zuckerberg disse que a empresa “trabalha com esse problema há muito tempo e leva essa responsabilidade a sério”. Mas ele afirmou também, que o tema é “complexo, tecnicamente e filosoficamente”, já que o Facebook não quer desestimular o compartilhamento de opiniões ou tornar-se “árbitro da verdade”. O CEO disse ainda que a empresa desenvolve sete propostas para combater a desinformação de maneira mais eficiente:

1. Desenvolver sistemas técnicos mais eficientes para detectar o que as pessoas irão denunciar como falso antes que elas façam isso;

2. Tornar mais fácil o processo de denúncia de reportagens falsas;

3. Fazer parcerias com organizações de checagem de fatos;

4. Rotular os links que foram denunciados como notícia falsa e mostrar avisos quando as pessoas lerem ou compartilharem estes links;

5. Aumentar a exigência de qualidade para os links que aparecem como “relacionados” na linha do tempo;

6. Dificultar o lucro dos sites de notícias falsas com anúncios;

7. Trabalhar com jornalistas para aprender métodos de checagem de fatos.

O lucro com a venda de anúncios publicitários nos sites de notícias falsas impulsiona cada vez mais o crescimento dessas páginas. O desafio do Facebook é evitar que conteúdo humorístico e satírico evolua para invenções mais elaboradas e compartilhadas nas redes sociais. O segredo para enfraquecer a desinformação é a informação de qualidade. O valor social que cada pessoa ganha ao compartilhar e discutir uma notícia falsa nas comunidades é muito maior do que quando eles compartilham um editorial de algum jornal renomado. Por isso, é preciso acender as luzes do farol da informação para navegar sem ser pego pelas mentiras digitais.

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