Educação
22/05/2017 4 min

Qual o papel dos pais na internet?

Confira algumas conclusões

A internet trouxe um ingrediente novo e potencialmente tenso nas relações entre pais e filhos. Até então, a preocupação só começava na adolescência, quando o jovem começa a ir e vir com as próprias pernas. Como o acesso ao mundo por meio de um aparelho que cabe na palma da mão, os pais passaram a ter que voltar seus olhos também para as ainda mais vulneráveis crianças, que em qualquer lugar da casa podem simplesmente sair dela e ir para muito, muito longe. Quanto mais um vigia, mais o outro esconde. E fica o mistério na cabeça dos adultos: o que se passa na cabeça desses pequenos?

A ONG internacional Children’s Advisory Panel (CAP) tem uma resposta. Em parceria com a Save The Children e com apoio da empresa sueca de tecnologia Telia, a CAP conduziu um estudo (Life online through children’s eyes) para descobrir como as crianças veem o mundo online – e como enxergam os pais nessa relação. Conheça algumas dessas conclusões:

– Os pais são descritos pelas crianças como um “facilitador passivo”. Em outras palavras, os adultos podem fazer com que o ambiente digital funcione e seja seguro, mas devem ficar nos bastidores.

– As crianças aceitam que os pais criem regras para o uso da internet. Pedem ajuda com problemas técnicos, mas não os convidam para participar de sua vida online. Elas se sentem capazes de seguir regras sozinhas com base numa espécie de código pessoal de conduta.

– Os adultos são respeitados por sua capacidade de consertar o que não está funcionando, desenvolver programas e aplicativos, banir usuários indesejados, criar conteúdos e manter a internet segura. Ao fazerem tudo isso, eles tornam possível que as crianças tenham um ambiente em segurança para manifestar suas opiniões com privacidade e sem críticas ou influência dos pais.

– As crianças entrevistadas concordam com os pais e reconhecem que passam tempo demais online. Por isso, embora não gostem no momento e reajam negativamente quando os pais mandam largar o celular ou desligar o computador, elas acham bom que os adultos disciplinem o uso da internet. Por outro lado, gostariam de ter algum mecanismo automático que os alertassem sobre o tempo que estão no ambiente digital.

– Os pais têm razão quando dizem que é preciso ter outras atividades longe do smartphone, como praticar esportes, encontrar pessoas ou simplesmente não fazer nada que não seja com os olhos presos numa tela. As crianças citam como riscos a “dependência” ou tornarem-se antissociais.

“Eu acordo às 7h para olhar todas aquelas redes sociais, mas às 7h30 eu acordo de verdade”, diz uma menina de 12 anos que participou do estudo. Ela e outras crianças dizem que não têm uma ideia de quanto tempo passam online – mesmo porque não seria fácil medir, uma vez que elas fazem isso várias vezes ao dia em cada momento livre que têm. A única coisa que a maioria sabe é que elas entram na internet ao acordar, antes mesmo de sair da cama, e é a última coisa que fazem antes de fechar os olhos para dormir – longe dos olhares dos adultos, é claro.

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