Comportamento
12/06/2017 2 min

Relacionamentos sem regras

Desde que o mundo é mundo, homens e mulheres fazem da conquista um jogo.

Desde que o mundo é mundo, homens e mulheres fazem da conquista um jogo. Comentários, curtidas, check-in, fotos e compartilhamentos escolhidos cuidadosamente, a dedo, passam recados quase subliminares e transmitem mensagens de sedução. Um post compartilhado com quinhentas pessoas pode ser destinado a apenas uma, com o único objetivo de conquistar. Não é à toa que essa mudança de paradigmas nos relacionamentos desperta o interesse de vários pesquisadores.

É o caso da americana Moira Weigel, autora do livro Labor of Love – The Invention of Dating (Trabalho do Amor – A Invenção do Namoro), lançado em maio de 2016. “Existe uma lógica de transações enraizadas na estrutura do namoro, que nos induz a ver o amor como algo que precisamos competir com outros para conseguir”, escreve ela. “A ilusão de que amor é algo que se conquista, e de que nunca vencemos, paralisa muitos de nós” completa Moira.

Em outras palavras, segundo ela, o amor nas sociedades ocidentais é um jogo a ser vencido – e não deveria, pois perdemos com isso a melhor parte. Após expor uma longa pesquisa sobre a história dos relacionamentos, Moira diz que a cultura popular – incluindo livros e revistas femininas – faz do amor uma transação, não uma relação.

Ela fala não somente dos casamentos por conveniência financeira, mas também sobre um estudo revelador dos anos 80, no qual belas aeromoças orientadas a sorrir o tempo todo para os passageiros diziam-se incapazes de se relacionar emocionalmente com as famílias.

Leia também: A invenção da solidão

Moira destaca também o polêmico e bem-sucedido The Rules (As Regras), livro escrito por duas mulheres, em 1995, que orientava como conquistar o homem ideal. A obra incluía entre suas dicas que a mulher deve ser boa companhia, mas “difícil de ganhar” e que deve ignorar seus sentimentos “para não assustar os homens”. O livro foi considerado um marco no relacionamento moderno mas recebeu muitas críticas, entre elas a de que deixava os homens confusos, sem nunca saber se a mulher estava interessada, desinteressada ou indiferente.

Além de não achar isso lá muito saudável, Moira ainda cita em seu livro que a sociedade já está em um ponto em que precisa mudar mais uma vez seus paradigmas de amor, sem competição, sem jogos. E ser mais feliz.

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11 Comentários

  • Neusa disse:

    Ao meu. Ver se o mundo buscar o que, a milhares d anos foi feito uma regra, onde a mulher tem q seu um bichinho d estimação pra q o homem possa dominar. Aí sim seu casamento não vai dar certo. Vejo q td tem um motivo, basta entendimento, diálogo, pq sei q muitas das vezes os maridos, não são carinho, não amigos, São sempre um homem cujo a própria sociedade colocou. Que tem ser um robô. Quem homem trabalha, e mulher fica em casa? Não isto mudou. Td muda hj td deve ser compartilhado juntos.

    • Dialogando disse:

      Com certeza, Neusa! Hoje o mundo é muito diferente e, através de muito diálogo, caminhamos para a igualdade entre todas as pessoas e harmonia nos relacionamentos.

  • Ithamar Canal disse:

    O namoro é muito importante, neste período cada um experimenta se o relacionamento vai ser satisfatório, tanto sob o ponto de vista sexual, como companheirismo, valores, comportamento social. Caçar um companheiro pode até resolver problemas sexuais ou financeiros do momento, mas estará longe de oferecer oportunidades de felicidade a longo prazo. É preciso viver um casamento feliz para entender seu valor. E não podemos nos esquecer de que a vida é uma só e muito, muito curta, cem anos passam de relâmpago.

  • fernando antunes disse:

    Amor e algo mais elevado que um simples flerte . O flertar pode sim iniciar um relacionamento amoroso , mas não há garantias. Defendo a tese que deva haver sim atração entre as partes interessadas . este é seguramente o estopim da coisa . E aqui esta descartada a questão do simples desejo . Amor é algo superior . É desejo de complementar se mutuamente , de compartilhar experiencias e ser cúmplice . Ocorre que a sociedade contemporânea banalizou este sentimento. As pessoas se satisfazem em sair para caçar e serem caçadas .

  • MarkDono disse:

    Relacionamento, namoro ou conquista, deveria ter uma conotação lúdica e não de sofrimento, desgastes e dor.

  • aTILIO disse:

    Trocando em miúdos; estão tentando domesticar um animal “racional”, ensinando à ele o valor do casamento e família, com direito a casinha e tudo o mais,… não vai dar certo…

    • Dialogando disse:

      Com um pouquinho de diálogo, os relacionamentos entre as pessoas pode dar certo, Atilio 😉

  • cica disse:

    O Homem é um animal e como tal tem necessidades essenciais em que o instinto tem uma porção muito grande frente à razão. Os rituais da conquista são comuns entre animais para a melhor escolha, que objetiva a conservação da espécie. Não é impossível usar a razão, mas é difícil o controle do instinto nesse caso.

  • Neto Casemiro disse:

    Esse tipo de visão realmente faz a gente olhar as coisas com outra perspectiva.

  • souza disse:

    Acho que o relacionamento intimo entre casaais é regido por tabus e ignorancia redundando no final em fracasso. E isto começa o jogo de trocas que entabulam na conquista, onde as pessoas realmente fazem um ritual de troca não de conquista

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