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09/01/2017 2 min de leitura

SERVIÇOS DE STREAMING DÃO SHOW DE REPRESENTATIVIDADE LGBT

Em matéria de diversidade, os serviços de streaming têm se saído melhor que seus concorrentes da TV a cabo e TV aberta

Isso é o que mostra uma pesquisa realizada no ano passado pela GLAAD, ONG estadunidense que monitora as representações LGBT na mídia. Não é que as transmissões de TV não dêem visibilidade para as minorias, pelo contrário, o número de personagens de diferentes etnias, gênero e sexualidade têm aumentado em todas as mídias, mas as marcas de streaming tem se sobressaído, em questão de porcentagem e destaque para a importância desses personagens nas histórias.

Um dado que é destacado na pesquisa é que, das 70 personagens LGBT da TV aberta, nenhuma é transgênero. Das 142 da TV a cabo, apenas 2% o são. Já no streaming, o número de personagens trans chega 7% do total LGBT representado. E mais, dessas personagens, há aquelas que são protagonistas da série, como é o caso de Transparent, série original da Amazon que acompanha o pai de família Mort que decide se assumir mulher trans, criando assim diversos conflitos familiares em busca de sua aceitação e uma vida mais autêntica. Ainda nesse assunto, a Netflix também apresenta Nomi, uma das protagonistas de Sense8, uma mulher trans que é, inclusive, interpretada por uma atriz trans. Sense8 é também referência de representatividade por ser dirigida, roteirizada e produzida pelas irmãs Wachowski, que são trans.

Em questão de representatividade, um canal de TV a cabo que se destaca é a Fox, com 48% das personagens das séries sendo do sexo feminino e 36% do total sendo pessoas de diferentes etnias. Sua série Brooklyn Nine-Nine traz uma grande diversidade de personagens nesses tópicos e, apesar de ser comédia, as piadas não seguem para a linha do clichê ofensivo. Outra série que se destaca dentro deste recorte é Orange Is The New Black, um dos maiores sucessos da Netflix, que retrata um grupo bem diverso dentro de uma prisão feminina, há personagens importantes negras, lésbicas, latinas, transexuais, que fogem às vezes do padrão de beleza, coisa que não é comum em programas nem de TV a cabo nem ainda no streaming.

Esse aumento de representatividade tanto nos canais de TV quanto em serviços de streaming tem feito surgir empresas que combinam esses elementos, como a Afrostream, um serviço de streaming cujo catálogo é composto por filmes e séries com protagonistas negros. Por enquanto, o serviço é mais uma curadoria de produções de outras marcas, mas já há planos para iniciar conteúdo original nos próximos 2 anos.

Com um público cada vez mais exigente, a tendência é que cada vez mais a indústria do entretenimento diversifique suas produções e apresente personagens que fogem de estereótipos que, embora aceitos em outras épocas, é cada vez mais problematizado. Quem ganha é o público, que pode se ver melhor nas telas em histórias mais ricas.
Ficou interessado na pesquisa completa da GLAAD? Leia ela aqui (em inglês).

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