Entretenimento
04/01/2017 3 min de leitura

Westworld e um passeio pelos limites da tecnologia

Quando uma série de TV é capaz de levantar questões filosóficas sobre a existência humana

No dia 4 de dezembro de 2016 foi exibido mundialmente o último episódio da primeira temporada de Westworld, a nova grande produção televisiva da HBO. A série retrata o funcionamento de um parque temático, ambientado no velho-oeste dos EUA e habitado por robôs que parecem, falam e agem como humanos, chamado Westworld. O parque foi idealizado pelo genial e misterioso Dr. Robert Ford – interpretado pelo igualmente genial e misterioso Anthony Hopkins – com a ideia de receber as pessoas em um ambiente artificial muito verossímil com a realidade, porém com a liberdade para seguir desenfreadamente seus instintos (até mesmo os piores) sem se preocupar com as consequências.

Desde o primeiro episódio, alguns robôs apresentam um comportamento que foge da programação. A partir daí, o enredo é permeado por questões muito interessantes sobre a possibilidade da inteligência artificial se desenvolver a ponto de adquirir consciência própria, o que também nos leva a refletir sobre os limites desse tipo de tecnologia na nossa realidade.

É fato que já temos máquinas inteligentes operando a todo vapor em nosso dia a dia: a linha de montagem nunca foi tão automatizada e hoje algumas cirurgias de alta precisão são realizadas por máquinas controladas por computadores, que também podem pilotar naves espaciais. Apesar de já nos substituir em alguns aspectos profissionais, a inteligência artificial seria capaz de desvendar os mistérios da nossa convivência social, assim como os robôs de Westworld?

Mesmo sendo um assunto aparentemente muito moderno, essa pergunta já faz parte do imaginário humano há algumas décadas. Em 1950, Alan Turing publica suas descobertas sobre a capacidade de um computador de conversar como um humano. Para ele, se uma máquina conseguisse se passar por um humano durante um diálogo, essa seria a prova de que ela teria inteligência e consciência real. Essa avaliação ficou conhecida como Teste de Turing e, desde então, inúmeros projetos foram desenvolvidos usando diferentes estratégias para passar por ele.

Com o objetivo de alcançar uma inteligência artificial realmente capaz de pensar e não apenas reproduzir o material que lhe foi alimentado, pesquisadores utilizaram até métodos de desenvolvimento semelhantes aos da evolução humana. O algoritmo genético funciona basicamente como a seleção natural: se o foco de um programa é resolver problemas básicos de computação, os softwares que obtiveram as melhores soluções são “cruzados” para buscar a resposta ideal. Os resultados desse tipo de experimento são fantásticos, porque, ao observar os programas depois de várias gerações, já não é possível enxergar mais os traços de seus originais. Ou seja, estamos diante de robôs capazes de criar outros robôs por conta própria.

No entanto, até agora nenhum resultado parece ter chegado perto de passar pelo Teste de Turing. Alguns apontam o fato de que a linguagem humana articula muito conhecimento e diversas referências até em frases simples, o que faz com que a alta capacidade de processamento e armazenamento de dados não seja suficiente para superar um fator muito importante da nossa interação: a intuição e a capacidade de improvisar. A conclusão a que chegamos é que, para o bem ou para o mal, uma interação de igual para igual entre nós e robôs está um pouco distante – então é bom aproveitarmos os devaneios propostos pelo entretenimento para nos divertir.

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