Inovação
09/02/2018 4 min

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Casas conectadas precisam de proteção

Dispositivos domésticos devem seguir os mesmos procedimentos de segurança para qualquer tipo de conexão na internet

O advento da internet das coisas impulsionou o surgimento das casas inteligentes, nas quais vários sistemas automatizados podem ser controlados pela rede. No Brasil, a tecnologia já está presente em recursos como iluminação, câmeras de monitoramento e som ambiente, mas os investimentos em novos produtos podem chegar a US$ 200 bilhões no país em 2025, segundo projeção do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Junto vem a preocupação com a segurança no acesso ao ambiente virtual e com novos riscos.

Imagine o impacto de um ataque hacker em uma casa com 500 dispositivos on-line, que é a média estimada para 2022. “As ameaças são exponencialmente maiores uma vez que as informações coletadas podem expor muito mais a intimidade das pessoas e os dispositivos nem sempre são monitorados pelos usuários”, diz Márcio Chaves, professor e advogado especialista em Direito Digital e Segurança da Informação, integrante do escritório Peck Advogados, especializado em cibersegurança. “Hoje mesmo já temos câmeras que registram imagens e sons de tudo que acontece no ambiente, smartwatches (relógios inteligentes de pulso) que registram todos nossos trajetos pelo GPS e assistentes digitais que podem mandar mensagens para nossos contatos se passando por nós”, diz.

As possibilidades vão desde a invasão dos sistemas, dano ou bloqueio de equipamentos mediante pagamento – como já acontece em computadores e celulares com o ransomware (um tipo de código malicioso que torna inacessíveis os dados armazenados em um equipamento, geralmente usando criptografia, e que exige pagamento de resgate (ransom) para restabelecer o acesso ao usuário) até consequências mais graves, como a manipulação inadequada dos objetos conectados. “O próprio ambiente físico pode ser afetado, com ações como a paralização das atividades de uma empresa, o sequestro de fechaduras inteligentes para travar as portas de um hotel, a utilização de carros autônomos para causar acidentes ou mesmo a alteração de dados em dispositivos médicos, provocando a aplicação errada do medicamento”, enumera o especialista.

Chaves destaca que os procedimentos básicos de prevenção serão os mesmos já adotados para quem navega no mundo virtual, como manter os softwares dos equipamentos sempre atualizados e garantir a proteção das redes wi-fi, mas que é preciso acompanhar e desenvolver novas medidas para situações que ainda surgirão, como acontece com toda inovação. “Temos que estar cientes de que esses dispositivos que facilitam nossa vida também nos expõem a perigos, refletindo sobre o tipo de acesso que desejamos permitir. Tudo isso exige também uma mudança de cultura, gerando uma conscientização que se reflita em nossos comportamentos tanto privados quanto profissionais”, afirma.

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