Educação
16/03/2018 3 min

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Separar fato e ficção, desafio da nova geração

Advento das fakes news evidencia a necessidade de estimular o pensamento crítico dos jovens conectados

Cerca de 82% dos jovens não conseguem distinguir uma notícia real de um conteúdo patrocinado e muitos julgam a credibilidade de um post no Twitter pela quantidade de detalhes que ele contém ou pelas imagens anexadas, não pela fonte. Os dados são de um estudo realizado pela Universidade de Stanford com quase 8 mil alunos do ensino médio e universitário. Os resultados apontaram que os adolescentes, ainda que estejam extremamente conectados no dia a dia, utilizando as redes sociais e compartilhando conteúdos, muitas vezes não têm nenhuma ideia de qual a veracidade ou origem do que estão recebendo. E isso em plena era das fake news.

Para citar um exemplo recente de como esta falta de atenção pode ser prejudicial, o jogo Baleia Azul, que causou tanta polêmica no país por supostamente induzir ao suicídio, era uma notícia falsa produzida na Rússia e que se alastrou pelo Brasil depois de ser tema de uma reportagem em um canal de televisão. Não há nenhuma comprovação da existência do referido jogo e de que tenha levado jovens russos a se matar, mas foi amplamente disseminado  por usuários dessa faixa etária em situação de vulnerabilidade, dispostos a realizar o mesmo “desafio”.

Uma série de inciativas visa capacitar a nova geração para avaliar corretamente a qualidade das informações transmitidas na web e, assim, estimular igualmente o hábito do pensamento crítico. The Digital Polarization Initiative é um projeto da Washington State University Vancouver que propõe aos alunos investigar a acuracidade das informações que encontram online e publicar depois um artigo com as conclusões. Os assuntos são os mais diversos, de politica a meio ambiente, manifestações de ódio a neurociência.

Criado pelo jornalista norte-americano Alan Miller, The News Literacy Project (NLP) é uma ONG que trabalha com professores e jornalistas voluntários para ensinar aos estudantes do ensino médio e secundário a separar o que é fato do que é ficção na era digital. Os materiais educacionais e programas utilizados explicam como classificar notícias reais, conteúdo de opinião e propaganda, seja utilizando as ferramentas de busca, navegando nas redes sociais ou lendo artigos. Os participantes também são encorajados a produzir e divulgar seu próprio conteúdo de forma responsável.

Já o Google está implementando o programa piloto Internet Citizens, que utiliza o Youtube para esclarecer crianças e jovens sobre o mal que as fake news podem causar na sociedade, especialmente com a facilidade e rapidez com que podem hoje se espalhar. Desenvolvido inicialmente no Reino Unido, promove workshops que debatem casos reais de divulgações fraudulentas, ferramentas e ações para combater o problema. A ideia é expandir posteriormente a experiência para públicos mais amplos e outros locais ao redor do mundo.

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