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12/11/2018 4 min

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SMS estimula busca por prevenção de doença

Sistema de comunicação incentiva adesão a tratamento profilático à infecção por HIV

A adesão de homens jovens ao tratamento de doenças crônicas é um desafio para os sistemas de saúde do mundo todo, mas pesquisadores de diferentes partes do planeta têm demonstrado que os celulares podem contribuir muito para a conscientização e para a confiança dos jovens na equipe clínica, funcionando como ferramenta poderosa para estimulá-los a cuidar de sua saúde.

Algumas doenças exigem tratamento contínuo e visitas regulares a serviços de atendimento à saúde, como a contaminação por HIV, por exemplo. Mas muitos homens têm dificuldade para manter a regularidade nas consultas, exames e visitas terapêuticas, uma vez que a própria ideia de masculinidade, frequentemente associada a valores como força e coragem, pode jogar contra o processo. No caso dos jovens, o problema se agrava por questões relacionadas às inseguranças trazidas pela vida adulta e o desejo de testar os próprios limites.

Em setembro, o médico Albert Liu, do Departamento de Saúde Pública de San Francisco, na Califórnia (EUA), publicou o resultado de uma pesquisa que ele e alguns colegas realizaram, em que um serviço de mensagens SMS foi utilizado para estimular a adesão de jovens a um tratamento.

A pesquisa acompanhou 121 homens com idade entre 18 e 29 anos, durante 9 meses. Os participantes eram todos homens jovens que praticam sexo com outros homens (YMSM, na sigla em inglês) e testavam negativo para infecção por HIV, embora tivessem alto risco de contaminação e, por isso, fossem elegíveis à profilaxia pré-exposição (PrEP). A PrEP consiste na tomada diária de medicamentos que impedem a contaminação pelo vírus, caso haja exposição.

O sistema de mensagens utilizado, batizado de PrEPmate, oferecia suporte móvel para os participantes, enviando lembretes diários na hora de tomar o comprimido, mensagens semanais de acompanhamento terapêutico e avisos de consultas. Um website, além disso, disponibilizava informações sobre HIV. Todos os participantes podiam, ainda, receber suporte suplementar caso pedissem.

“Acreditamos que alto nível de uso de celulares entre os jovens, bem como as elevadas taxas de jovens que utilizam dispositivos móveis para várias atividades, incluindo atividades de saúde, contribuem para o potencial das tecnologias móveis no apoio aos jovens na prevenção ao HIV e aderência à PrEP”, avalia Liu.

O PrEPmate foi um sucesso: quem fazia parte de sua base tinha significativamente mais disponibilidade para participar de consultas relacionadas ao estudo (86% dos participantes do PrEPmate, contra 71% dos que não tinham acesso ao sistema) e fez uso mais consistente do medicamento contra a contaminação por HIV (72%, no caso dos usuários de PrEPmate, contra 57%, entre os que não tinham acesso).

Para completar, 88% dos usuários de PrEPmate o avaliaram como significativamente ou muito útil e 92% deles recomendariam o sistema para outras pessoas. A equipe responsável pela pesquisa pretende agora testar o PrEPmate com outros grupos sociais em diferentes regiões dos Estados Unidos.

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