Como os fãs de KPOP e de fandom lidam com a tecnologia?

12 de novembro de 2025

Você já reparou como alguns fenômenos simplesmente aparecem na timeline e, quando vai ver, já está em todo lugar? O K-pop é um desses casos.

Mesmo que você não saiba o nome de qualquer banda coreana ou nunca tenha dado play em uma música de lá, é absolutamente provável que sua timeline já tenha sido invadida ou alguém já tenha te mostrado um vídeo, uma coreografia ou um grupo de fãs apaixonados falando com paixão sobre o “bias” favorito. 

E é curioso pensar como tudo isso aconteceu: uma cultura que parecia distante se tornou presente no nosso dia a dia, indo das redes sociais às conversas entre jovens, dos trends no TikTok aos shows que lotam estádios no Brasil. E é por isso que estamos aqui hoje, para ver sobre:

  • O que torna o K-pop tão poderoso? 
  • Como os fandoms funcionam?
  • Por que a relação entre artistas e fãs é tão diferente aqui?

Boa leitura!  

Os fandoms do K-pop

Para começo de conversa, é preciso explicar o que quer dizer fandom. Esse termo vem da junção de fan (fã) e kingdom (reino). E, acredite, esse é um ótimo resumo do que acontece nesse universo.

Indo direto ao ponto, os fandoms são o coração do K-pop: mais do que base de fãs, estamos falando de verdadeiras comunidades estruturadas, criativas e extremamente conectadas em torno de pessoas e bandas, os seus ídolos.

São eles, por exemplo, que traduzem conteúdos, organizam mutirões, produzem materiais gráficos, ajudam a divulgar lançamentos e mantêm o movimento sempre ativo.

É o trabalho coletivo desses fãs que fazem clipes baterem recordes globais, um álbum estrear já no topo e um artista se tornar referência acima de qualquer fronteira. E quer saber de uma coisa? O Brasil ocupa um lugar especial nesse mapa. 

Somos um dos países que mais comentam, produzem e compartilham conteúdo sobre K-pop nas redes sociais, e isso não é pouca coisa. Os fandoms brasileiros lideram campanhas, organizam ações beneficentes e movimentam gigantescas redes de apoio emocional.  

Para completar, vale dizer que cada fandom tem suas particularidades: nomes oficiais, cores, lightsticks, formas de comunicação. ARMY (BTS), BLINK (Blackpink), STAY (Stray Kids), MOA (TXT). Todos contam com identidades próprias que ajudam a criar o sentimento de pertencimento. No fim das contas, ser parte de um fandom é fazer parte de uma comunidade que se reconhece, se organiza e se apoia.

As gerações do K-pop e seus fandoms

Parece que foi ontem que o K-pop apareceu por aí. Só que não. Na verdade, esse é um movimento que nasceu na Coreia do Sul nos anos 1990, impulsionado pela chamada Onda Hallyu. Esse movimento levou a cultura coreana, com seus filmes, doramas, culinária e, claro, a música pop, para o mundo inteiro.

E o mais legal é que a história do K-pop se desenvolve junto com a tecnologia, e isso aparece com clareza quando olhamos para suas gerações, que apesar de formarem públicos diferentes, todas conectam o público com esse apreço e consideração em comum. Conheça as gerações: 

1ª geração (anos 1990)

Quando tudo ainda acontecia de forma mais local, com clubes de fãs presenciais.

2ª geração (anos 2000) 

A internet começa a abrir portas e o YouTube leva os clipes para fora da Ásia.

3ª geração (anos 2010) 

Redes sociais explodem e grupos como BTS, EXO e Blackpink transformam o K-pop em fenômeno global, com fãs participando de tudo em tempo real.

4ª geração (2020 →) 

A era digital nativa: realidade aumentada, interatividade, lives, jogos e fandoms que se organizam pelo TikTok e por comunidades online.

Para entender o que vivemos hoje, entender essa evolução é fundamental. Ela diz muito sobre a força atual do movimento do K-pop e a invasão da cultura coreana nos nossos streamings e afins.

Impacto econômico e social do kpop

Não é exagero dizer que o K-pop é, hoje, um dos maiores produtos culturais de exportação da Coreia do Sul. Segundo dados do Ministério da Cultura e Turismo coreano, a indústria movimenta bilhões de dólares por ano e impulsiona áreas como turismo, moda, tecnologia e educação. 

Na ativa, segundo a rede coreana NPR, o BTS movimentava 5 bilhões de dólares ao ano. Segundo o Portal Pop Line, mesmo em hiato, o grupo mais conhecido movimenta todo esse valor. Mas há algo que não dá para medir em números: o impacto social.

Os fandoms se transformaram em redes de apoio, com espaços onde jovens do mundo inteiro encontram acolhimento, trocam experiências e compartilham causas sociais. Em terras brasileiras, por exemplo, as comunidades de fãs se organizam em fanbases que funcionam como verdadeiras equipes de marketing, mas também como espaços de amizade, empatia e expressão que levam a cultura coreana a novas camadas diariamente. 

Aliás, se você quiser entender mais sobre o papel da tecnologia nessas experiências coletivas, vale conferir este nosso artigo sobre shows de tecnologia nos palcos.

O K-pop além dos fandoms

Já deu para perceber que nem só de música vivem os fãs da música pop coreana. Podemos falar, inclusive, que essas fanbases se destacam também por cocriar a expansão desse movimento cultural. Isso porque o k-pop conseguiu adentrar a cultura, inspirando outras manifestações expressivas que têm total relação com este universo. 

Seja por meio da escrita, da vestimenta ou até das performances no show, o K-pop revolucionou toda uma forma de ver e sentir o mundo. Veja só como:

As fanfics

Se tem um elemento que fala muito sobre essa capacidade de cocriação é a invasão das fanfics, com histórias escritas por admiradores, muitas vezes publicadas em plataformas como Wattpad, Spirit e Archive of Our Own.

Essas narrativas recriam o universo dos artistas, misturando ficção e realidade, e são uma forma de o fã se expressar, discutir temas sociais e até desenvolver habilidades de escrita. Mais do que entretenimento, esse movimento mostra como o K-pop se tornou um movimento em que o público não apenas consome, mas cocria.

Os fanchants

Se você já assistiu a um show de K-pop, sabe que o som não para nem quando as músicas dão um respiro. Tudo por conta dos fanchants: aqueles gritos coreografados que acompanham as músicas (e depois) e que são uma tradição marcante. 

Antes mesmo da música começar, os fãs já sabem o que gritar, quando gritar e como fazer isso junto. É ali que a comunidade ganha forma física. O resultado é que em um show, ninguém fica parado: artista e público compartilham o mesmo ritmo, no mesmo palco. 

Engajamento em shows, os lightsticks

Outro elemento marcante são as lightsticks, os bastões de luz personalizados que se tornam parte da identidade de cada fandom. 

Elas são sincronizadas com o palco, mudam de cor, piscam no ritmo e criam paisagens luminosas impressionantes. É tecnologia e emoção caminhando juntas, e mostrando como os shows de K-pop se tornaram experiências imersivas.

Vocabulário do fandom de K-pop

Para quem está se aproximando agora desse universo, é bom adiantar que o K-pop tem um idioma próprio, com várias expressões características. E aqui vai um glossário rápido, para te ajudar, com os termos mais comuns: 

TermoSignificado
BiasIntegrante favorito de um grupo.
ComebackRetorno do artista com novo álbum ou música.
MaknaeMembro mais jovem do grupo.
StanFã dedicado que acompanha tudo de perto.
SelcaSelfie tirada pelo próprio idol.
LightstickBastão luminoso oficial de cada fandom.
FanbaseComunidade organizada de fãs.
FanmeetingEncontro oficial entre artistas e fãs.

A importância do YouTube para o K-pop

Para contarmos a história do K-pop, é impossível não falar da importância do YouTube para a disseminação dessa cultura por aqui. Canais brasileiros como Coreanismo, Bianca Alencar K-pop e Kpopper BR explicam, analisam e comentam tudo sobre o tema, dos novos clipes a curiosidades culturais.

E a verdade é que esses criadores são verdadeiras pontes entre o público e o universo coreano, muitas vezes traduzindo (literalmente) as tendências mais importantes do momento.

Além disso, a rede de vídeos é também um espaço onde muitos fãs produzem seus vídeos com reacts, traduções e até análises detalhadas de coreografias, o que ajuda a difundir ainda mais a cultura. E é dessa forma que a comunidade se retroalimenta, porque os fãs produzem conteúdo, inspiram outros fãs que produzem mais conteúdo, e fazem o K-pop continuar crescendo.

K-pop: música, criatividade, identidade, comunidade e tecnologia

O K-pop não é apenas música: é uma rede de conexões, de inspiração, de identidades e narrativas compartilhadas. Entre fandoms, fanfics e fanchants, o que vemos é uma comunidade que aprendeu a usar a internet para transformar admiração em movimento, e movimento em cultura.

Mais do que seguir artistas, os fãs de K-pop criaram uma forma de estar no mundo, que passa a ser mais participativa e criativa. E o Brasil, com sua energia e engajamento, é parte essencial dessa história.

Se você gostou de saber do K-pop, continue a acompanhar os conteúdos do Dialogando. Falamos sobre as mudanças e como a internet pode melhorar o mundo, principalmente por trazer os ídolos para ainda mais perto.Até a próxima — e let’s keep dialogando!

Fonte: Dialogando - Como os fãs de KPOP e de fandom lidam com a tecnologia? Dialogando

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Newsletter

Receba nossas notícias e fique por dentro de tudo ;)

Nós utilizamos cookies para melhorar sua experiência em nosso site. Se você continuar navegando, consideramos que está de acordo com a nossa Política de Privacidade.

Telefonica