Lei do menor esforço: qual é o impacto da IA no comportamento de adultos e crianças?

21 de janeiro de 2026

Vivemos em uma sociedade moldada pela conveniência, em que a inteligência artificial promete otimizar tempo, reduzir esforço e aumentar produtividade. No centro desse cenário está um princípio antigo, mas cada vez mais visível: a lei do menor esforço.

Esse conceito ajuda a explicar por que estamos constantemente buscando o caminho mais simples, não apenas fisicamente, mas também mentalmente. A pergunta que começa a emergir, especialmente entre adultos, é inquietante: estamos ficando cognitivamente mais dependentes?

Confira, então, esse material que preparamos para você. Hoje vamos discutir sobre:

  • O que é a lei do menor esforço.
  •  A perda da complexidade do cérebro humano.
  • O impacto no mercado de trabalho.
  • Da terceirização à reaprendizagem, como remodelar a sociedade.

Boa leitura! 

O que é a Lei do Menor Esforço?

A lei do menor esforço é um conceito que parte de uma ideia simples: os seres humanos tendem a escolher, entre diferentes possibilidades, aquela que exige menos esforço. Vale frisar que esse esforço pode ser físico, emocional ou cognitivo. Do ponto de vista evolutivo, essa lógica faz sentido: economizar energia sempre foi uma estratégia de sobrevivência.

O problema é que, no mundo contemporâneo, esse princípio deixou de ser apenas um comportamento natural e passou a ser o produto central do mercado. Aplicativos sugerem o que assistir, o que comprar, o que escrever e até o que pensar. A conveniência virou valor absoluto. 

O resultado global desse processo é um impacto direto na cognição adulta: quanto menos esforço é exigido, menos esforço é exercitado. A lei do menor esforço, nesse contexto, não é apenas um traço humano, mas, sim, um modelo econômico, tecnológico e cultural que molda comportamentos em escala global.

O cérebro adulto sob demanda: a perda da complexidade

O cérebro humano é altamente adaptável. Ele se reorganiza de acordo com os estímulos que recebe e com as demandas do ambiente. Quando somos constantemente expostos a respostas prontas, soluções automáticas e decisões terceirizadas, o cérebro aprende que não precisa ir além.

Isso não significa que adultos estejam “regredindo”, mas que algumas habilidades cognitivas estão sendo menos ativadas. Pensamento crítico, resolução de problemas complexos, análise profunda e criatividade exigem esforço, e o esforço passou a ser algo a ser evitado.

Aqui entra um ponto importante: o debate sobre cognição não deve se limitar às crianças. Adultos também aprendem, desaprendem e moldam seus processos mentais ao longo da vida. Quando a rotina é mediada por tecnologias que entregam tudo pronto, a tendência é uma simplificação do pensamento. Essa simplificação se manifesta de várias formas:

  • Menor tolerância à complexidade;
  • Busca constante por respostas rápidas;
  • Dificuldade em sustentar atenção prolongada;
  • Desconforto diante de problemas sem solução imediata.

A chamada “preguiça” não é apenas falta de vontade. Ela está profundamente ligada à economia cognitiva: o cérebro evita gastar energia quando percebe que não é necessário. O risco está  justamente em transformar essa economia em padrão permanente.

O impacto no trabalho no Brasil de 2025–2026 

Homem em um escritório moderno bocejando com a mão na boca em frente ao computador, evidenciando a necessidade da lei do esforço mínimo.

No mercado de trabalho brasileiro, especialmente entre 2025 e 2026, a lei do menor esforço ganha contornos ainda mais evidentes. A pressão por produtividade, velocidade e entregas constantes cria um ambiente onde a inteligência artificial deixa de ser ferramenta e passa a funcionar como muleta cognitiva.

Em muitos contextos profissionais, usar IA não é mais uma escolha estratégica, mas uma exigência implícita. Assim, ao mesmo tempo em que o profissional precisa ser mais estratégico e criativo, ele é empurrado para soluções rápidas, padronizadas e pouco reflexivas. O esforço cognitivo profundo passa a ser visto como “perda de tempo”.

No longo prazo, isso impacta:

  • A autonomia intelectual dos profissionais;
  • A capacidade de inovação;
  • A leitura crítica de contextos complexos;
  • A tomada de decisões responsáveis.

A economia do menor esforço, aplicada ao trabalho, pode gerar eficiência no curto prazo, mas fragilidade cognitiva no médio e longo prazo.

O próximo passo: da terceirização à reaprendizagem

Diante desse cenário, surge uma necessidade urgente: reaprender a pensar em um mundo que pensa por nós. O próximo passo não é rejeitar a tecnologia, mas redefinir nossa relação com ela e trabalhar as nossas soft skills.

A terceirização cognitiva não pode ser total. Delegar tarefas é diferente de delegar decisões. Quando abrimos mão do esforço mental, até por questões de saúde, como os burnouts, abrimos mão também da construção de sentido, da interpretação crítica e da autonomia.

É aqui que entra a ideia de “desmecanizar” o pensamento. Em um mundo automatizado, manter a relevância profissional e mental exige intencionalidade. Pensar passa a ser uma escolha consciente, não mais uma exigência do ambiente.

Esse movimento conecta diretamente este artigo a um debate futuro na categoria educação: como reaprender a aprender, como estimular o esforço cognitivo e como formar pessoas que sejam capazes de usar tecnologia sem se tornar dependentes dela.

Antes de discutir isso com crianças, precisamos olhar para os adultos. Somos nós que modelamos os comportamentos, hábitos e expectativas. A forma como lidamos hoje com a lei do menor esforço definirá o tipo de aprendizagem que valorizaremos amanhã.

Reforçar as reflexões e escolhas

A lei do menor esforço nunca foi tão poderosa quanto na era da inteligência artificial. Entre conveniência, preguiça cognitiva e economia de energia mental, estamos vivendo uma transformação silenciosa no comportamento adulto. Não se trata de demonizar a tecnologia, mas de reconhecer seus efeitos sobre a cognição, o trabalho e a forma como aprendemos

Antecipar essa conversa agora é fundamental. Antes que o debate chegue com força às escolas e ao universo infantil, precisamos refletir sobre nossas próprias escolhas. Em um mundo que facilita tudo, escolher não terceirizar o pensamento pode ser o maior ato de autonomia que temos.

Você gostou dessa conversa sobre a lei do menor esforço? Sente que tem impactado na sua rotina? Comente aqui e nos deixe saber como você tem lidado com a tecnologia na sua rotina. Vamos adorar saber e conhecer as práticas de vocês.

Até a próxima!

Fonte: Dialogando - Lei do menor esforço: qual é o impacto da IA no comportamento de adultos e crianças? Dialogando

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