Show e tecnologia: quando o espetáculo começa antes mesmo da primeira música

14 de janeiro de 2026

Sabe aquela sensação de arrepio quando a luz apaga, o telão acende ou uma pessoa aparece no palco, o público vibra e o primeiro acorde ecoa? Sim, é uma sensação presente e muito familiar em muitas gerações. Só que, hoje, diferente de como era por muitos anos, o show não acontece só no palco.

Quem gosta de curtir turnês e festivais por aí já deve ter percebido como show e tecnologia andam cada vez mais juntos, melhorando e amplificando a experiência de quem vai curtir sua música ao vivo. E isso é resultado direto da relação cada vez mais próxima entre inovação e entretenimento, que vem redefinindo como a arte é sentida, vista e compartilhada.

É sobre essa transformação que vamos conversar hoje. Acompanhe com a gente e veja: 

  • A revolução do áudio imersivo;
  • IA na engenharia de som e luz;
  • Shows holográficos e presença virtual;
  • Sustentabilidade tech.

Boa leitura!  

A revolução do áudio imersivo (Spatial Audio)

Close de jovens na plateia de um show, sorrindo e batendo palmas, iluminados por luzes de palco quentes.

Imagine estar em um show e perceber a guitarra vindo de um lado, a bateria se abrindo ao fundo e a voz circulando pelo ambiente. Não é efeito da imaginação. É o áudio imersivo, uma das mudanças mais profundas na forma como os shows são sonorizados. 

O que antes era “só” assistir a uma apresentação, virou uma jornada completa. Isso porque tem o som, a luz que pulsa junto, e até mesmo o celular auxilia a fazer com que as pessoas se sintam mais próximas, apesar da distância. A tecnologia deixou de ser coadjuvante e passou a atuar como parte essencial da narrativa ao vivo.

E aí, em vez das caixas de som concentradas na frente do palco, sistemas como o Dolby Atmos Live distribuem o áudio em camadas, criando uma sensação tridimensional. Ou seja, o público deixa de ser apenas receptor e passa a estar dentro do campo sonoro.

E para fazer com que 60 mil pessoas ouçam a mesma coisa ao mesmo tempo dentro de um estádio gigante, é o som personalizado quem atua. Na prática, ele já vem sendo usado em festivais e grandes eventos, como foi no The Town, e basicamente funciona assim: por meio de um aplicativo o próprio público pode ajustar sua experiência sonora, escolhendo o que quer ouvir com mais destaque.

É a lógica do streaming entrando no ambiente físico, respeitando preferências individuais. E o mais interessante é que essa personalização também abre caminho para a acessibilidade sensorial. 

Pessoas no espectro autista ou com baixa visão, por exemplo, podem adaptar o volume, o foco sonoro e a intensidade do ambiente, tornando o show mais confortável e inclusivo. Uma discussão e avanço que se conecta diretamente com o debate sobre tecnologia, capacitismo e inclusão. E o melhor disso é que quando o som se adapta às pessoas, o espetáculo deixa de ser padronizado e passa a ser vivido de forma mais humana. 

IA na engenharia de som e luz em tempo real

Por trás de um grande show, sempre existiu uma operação técnica complexa. A diferença é que, agora, essa engrenagem ganhou um novo cérebro: a inteligência artificial.

Se antes o engenheiro de som que projeta o show contava apenas com um equipamento chamado analisador de espectro, que ajudava a equalizar as batidas no ambiente, hoje o funcionamento é muito mais tecnológico. Softwares de mixagem assistida por IA analisam o ambiente em tempo real. Eles consideram o tamanho do espaço, a quantidade de pessoas, a umidade do ar e até a absorção sonora do público.

A partir disso, é possível ajustar o som automaticamente, mantendo a qualidade sem depender de intervenções constantes. E isso não é só uma questão de som. 

Na iluminação, por exemplo, a lógica também mudou. Em vez de sequências fixas, muitos shows já utilizam luz generativa, em que sensores de movimento captam gestos, deslocamentos e até a intensidade da performance do artista. A iluminação responde em tempo real, criando cenas únicas a cada apresentação. 

E o público entra nessa equação, afinal, o smartphone deixou de ser apenas uma tela na plateia e passou a fazer parte do espetáculo. Pulseiras conectadas, aplicativos e comandos sincronizados transformam milhares de pessoas em um painel vivo de luz e interação.

Nesse contexto, ainda entram as experiências de realidade aumentada em shows, que permitem visualizar elementos digitais sobrepostos ao palco pelo celular, quase como um metaverso da apresentação, além de conteúdos exclusivos acessados durante cada música.

Shows holográficos e presença virtual

Silhuetas de uma multidão com mãos ao alto em um show banhado por uma forte luz azul e canhões de luz ao fundo.

Aguardar os anúncios das turnês e saber quais são os locais dos shows ainda é um evento importante para todo fã. Mas, hoje, nem todo mundo consegue (e precisa) estar fisicamente em um grande show. Isso porque a tecnologia começa a redesenhar esse cenário.

Afinal, os shows holográficos, por exemplo, já ganharam visibilidade ao permitir apresentações de artistas que já não estão mais vivos. Ou, também, realizar performances simultâneas em diferentes países. Mas a inovação vai além do impacto visual.

Com transmissões de ultrabaixa latência, artistas podem se apresentar em tempo real para públicos espalhados pelo mundo, mantendo sincronia entre som, imagem e interação. 

A presença virtual também vai impulsionar outros formatos híbridos. Já pensou parte do público na arena e outra acompanhando de casa? Essa era está chegando, e com todos participando da mesma experiência. Em alguns casos, inclusive, com direito a camadas de gamificação, com desafios, escolhas coletivas e interações que influenciam o andamento do show.

E assim o show e a tecnologia vão caminhando para fazer com que os espetáculos deixem de ser lineares. Eles se adaptarão (cada vez mais) ao comportamento do público, esteja ele onde estiver. 

Sustentabilidade tech nos grandes espetáculos

Shows grandiosos sempre levantaram uma questão sensível: o impacto ambiental. Energia, transporte e estrutura consomem recursos em larga escala. Mas e se a energia que pulsa na festa fosse um caminho para tornar tudo mais sustentável? É isso mesmo, a tecnologia já começou a tornar essa uma realidade possível!

Exemplo disso são justamente os pisos cinéticos, que transformam o movimento do público em energia elétrica. Cada pulo, cada passo contribui para alimentar parte da estrutura do evento. É o “tira o pé do chão”, literalmente, iluminando todo o estádio.

Outra frente importante não é tão futurista quanto a energia cinética, mas é igualmente importante: o uso de baterias recicladas de íon-lítio (além de outras fontes) para alimentar sistemas de som e luz, substituindo geradores a diesel.

Além de reduzir as emissões, essas soluções diminuem ruídos e tornam o ambiente mais confortável. E, assim, a sustentabilidade deixa de ser discurso e passa a integrar a engenharia do espetáculo. 

Do DVD ao streaming imersivo e à realidade virtual

Talvez você já não se lembre, mas houve um tempo em que reviver um show significava colocar um DVD para rodar. Esse formato não desapareceu, com certeza, só que ninguém precisa mais do disco para reviver esses eventos.

Hoje, o protagonismo é do streaming imersivo e da realidade virtual. Câmeras 360° em altíssima resolução permitem que o público escolha ângulos, acompanhe bastidores e até “suba ao palco” virtualmente.

O show deixa de ser apenas um registro e passa a ser uma experiência contínua, que pode ser revisitada sob novas perspectivas. 

Show e Tecnologia: uma transformação viva

A relação entre show e tecnologia não é mais tendência distante. Ela já molda a forma como vivemos o entretenimento ao vivo. Som que envolve, luz que reage, público que participa, experiências mais acessíveis e eventos mais sustentáveis. Tudo isso redefine o que significa ir a um show. 

A música continua sendo o coração da experiência. A tecnologia, agora, é o sistema que faz esse coração bater mais forte, mais longe e para mais pessoas. 

E se você gostou e quer saber mais sobre como show e tecnologia andam juntos no aperfeiçoamento dos eventos musicais, é só continuar acompanhando com a gente aqui do Dialogando. Afinal, a conversa sobre o futuro do entretenimento já começou. E ela está só no primeiro acorde. 

Até a próxima!

Fonte: Dialogando - Show e tecnologia: quando o espetáculo começa antes mesmo da primeira música Dialogando

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