Proibição do uso de celular em sala de aula: entenda o impacto disso no dia a dia das escolas

5 de março de 2025

A tecnologia pode ser uma grande aliada para o aprendizado. Mas, e quando o seu uso desenfreado se torna um problema, o que fazer? É justamente esse o ponto que tem sido debatido nos últimos tempos em relação ao uso de celular em sala de aula

Na tentativa de enfrentar esse desafio, o Governo Federal sancionou em janeiro deste ano uma lei que restringe o uso de celulares nas escolas — com exceção de situações pedagógicas ou de necessidade especial —. E é para entender sobre esses impactos que nos reunimos hoje. Vamos falar sobre:

  • O porquê da proibição do uso de celular nas salas;
  • Papel da tecnologia no ensino;
  • Percepção dos professores; 
  • Impacto para os alunos. 

Boa leitura!

Por que o uso de celular em sala de aula foi proibido? 

Menino faz uso do celular em sala de aula antes da proibição pelo governo federal em 2025

A Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares em salas de aula, surgiu como uma resposta do governo brasileiro à preocupação de professores, especialistas, pais e população em geral em relação ao uso desenfreado da tecnologia no ambiente escolar. 

Tal medida está alinhada a uma tendência global de promover a redução da exposição das crianças às telas, uma vez que já está comprovado que o uso excessivo de aparelhos eletrônicos:

  • Aumenta a ansiedade;
  • Diminui o foco;
  • Reduz a interação entre estudantes, impactando negativamente no aprendizado, concentração e saúde mental dos jovens. 

Nesse sentido, a nova legislação foi criada justamente para frear esse cenário de adoecimento psicossocial dos alunos, a fim de restabelecer a atenção deles, melhorar o seu desempenho e, sobretudo, proteger crianças e adolescentes dos impactos negativos da tecnologia na saúde mental, física e emocional.  

Para isso, a lei prevê a proibição do uso de celulares durante as aulas, intervalos e atividades extracurriculares — em toda a educação básica nas escolas públicas e particulares —, com exceção para atividades pedagógicas ou didáticas previamente autorizadas pelos docentes ou para casos especiais, como alunos com deficiência ou necessidades especiais de saúde. 

Papel da internet e da tecnologia no ensino 

A tecnologia transformou a forma como as pessoas aprendem e apreendem as informações. Graças à internet, por exemplo, é possível hoje acessar uma infinidade de conteúdos, de modo mais dinâmico e interativo. 

No ambiente escolar, não é diferente: a tecnologia exerce um papel fundamental no ensino. Aplicativos, plataformas educacionais e inteligência artificial são algumas das ferramentas que podem auxiliar alunos e professores na construção do conhecimento. 

Por outro lado, quando o uso se torna indiscriminado, como ocorre muitas vezes com os celulares em sala de aula, alguns desafios começam a se apresentar, como a diminuição da concentração dos estudantes, o aumento dos níveis de ansiedade e estresse, problemas de socialização e isolamento, além da redução significativa no desempenho e aprendizado. 

Diante disso, o Ministério da Educação (MEC) divulgou que o objetivo da lei n.º 15.100/2025 é de potencializar os benefícios do uso da tecnologia e mitigar os seus efeitos negativos. 

Crianças fazem atividade em sala de estudos em volta das mesas depois da proibição dos usos do celular na sala de aula

Detalhes sobre a organização das escolas 

Para isso, a mediação e o direcionamento pedagógico são fundamentais nesse processo. Em relação a esse ponto, o MEC orienta: 

  • As escolas precisam respeitar as exceções da regra, que são:
    • Uso de celulares liberados para fins pedagógicos ou didáticos;
    • Inclusão e acessibilidade de estudantes com deficiência;
    • Atendimento a condições de saúde e garantia de direitos fundamentais;
  • O local onde os celulares ficarão guardados é uma decisão que deve ser tomada por cada instituição de ensino; 
  • As secretarias de educação deverão desenvolver ações de apoio à saúde mental dos estudantes; 
  • As escolas devem ofertar um lugar de escuta e acolhimento para os alunos; 
  • As restrições precisam ser estendidas também para os intervalos e recreios; 
  • As práticas devem ser revistas, ajustadas e melhoradas periodicamente. 

Perspectiva dos professores 

Embora seja recente o sancionamento da lei, os professores já percebem alguns avanços e melhorias no dia a dia com a proibição do uso de celulares no ambiente escolar, como aponta Juliane Monteiro, professora do ensino básico na rede particular em Salvador: 

“Com a restrição, os alunos pararam de promover bullying, fazer memes, jogar joguinhos de apostas, entre outras coisas que não têm relação com o processo de aprendizagem, através do uso do celular.  

Em contrapartida, eles passaram a prestar mais atenção na aula e a interagir mais durante as atividades. Então, acredito que, mesmo com todos os desafios que o ambiente escolar ainda apresenta, essa medida veio para coibir violências, distrações e adoecimento da saúde mental das crianças e adolescentes, promovendo uma utilização mais responsável e equilibrada das tecnologias”, relata.  

Cotidiano sem celulares depois da proibição 

Duas estudantes brincam juntas na sala de aula depois da proibição do uso de celulares nas escolas

A proibição do uso de celulares nas escolas já tem apresentado resultados positivos. Confira abaixo alguns dos principais benefícios percebidos até o momento pelos professores: 

Maior concentração nas aulas 

Os profissionais da educação relatam que sem a distração dos celulares, os alunos têm conseguido prestar mais atenção nas aulas.  

Melhora na socialização 

Com a redução do uso dos aparelhos eletrônicos, os estudantes voltaram a aproveitar os intervalos e recreios para brincar (de bola, de jogos de tabuleiro) e socializar entre eles, desenvolvendo assim habilidades socioemocionais  fundamentais.

Maior interação durante as atividades 

Sem o uso indevido dos celulares, os professores têm observado uma maior interação e participação dos alunos nos momentos de atividades em sala.   

Redução da ansiedade e do estresse 

O uso excessivo de redes sociais tem sido associado a um aumento dos níveis de ansiedade e depressão entre os jovens. Com a restrição, profissionais têm observado uma melhora significativa na saúde mental dos estudantes. 

A tecnologia é uma ferramenta poderosa que, se bem utilizada, pode transformar positivamente a realidade de muitas pessoas. Mas, quando mal empregada, pode trazer prejuízos à saúde mental, principalmente, dos jovens, que estão diariamente cyberconectados. 

É por isso que a nova lei surge como uma tentativa de proteger as crianças e adolescentes contra os efeitos nocivos da internet, ao mesmo tempo que fomenta o uso educativo das tecnologias para integrar o processo de aprendizado.

Embora recente, professores e outros profissionais da educação já têm percebido uma diferença. Seja com a melhora significativa da concentração, na participação ou na socialização entre os alunos após a proibição do uso de celulares no ambiente escolar. Isso demonstra que, apesar dos desafios, a medida tem sido fundamental nas escolas para garantir uma educação de qualidade para as futuras gerações. 

Gostou de saber sobre o uso de celular em sala de aula? Então não deixe de conferir outros conteúdos no Dialogando que preparamos para você! Por exemplo, sobre como garantir a segurança online dos estudantes. Ou, também, sobre um tempo de tela adequado. O importante é que queremos proporcionar conversas sobre um uso seguro da internet para a construção de um mundo melhor, e estamos aqui para contribuir com essa discussão!

Até a próxima!

Fonte: Dialogando - Proibição do uso de celular em sala de aula: entenda o impacto disso no dia a dia das escolas Dialogando

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Comentário(s)

  • Mudanças sempre apresentam resistência, mas acredito que os alunos so tem a ganhar com esse novo momento. A importância de desconectar para se conectar!

  • Na minha época não tinha celular e a gente socializava tanto que tenho amizades que fiz e cultivo até hoje. Bons tempos! Que essa garotada aproveite mais a companhia um do outro e a atenção dos professores S2

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