Comportamento
29/05/2019 8 min

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As redes sociais têm impacto na saúde mental dos adolescentes?

Como está a relação dos jovens quanto às redes sociais? Veja como usar a internet de forma saudável e o que manter uma rotina que traga mais diversão e menos transtornos.

Adolescência é uma fase cheia de mudanças. E nos últimos anos, esses grandes desafios emocionais, novas experiências e vários outros detalhes vieram acompanhados da explosão de uso das redes sociais. Poder acompanhar de pertinho os ídolos que moldam os gostos de quem está nesse momento de vida, compartilhar experiências, explorar sua criatividade e interesses, estar sempre em contato com os amigos e até mesmo facilitar tarefas escolares estão entre as grandes vantagens dessa modernidade toda, é claro!

Mas passar tempo demais em redes sociais e consumir conteúdos sem nenhum tipo de filtro ou atenção aos excessos é algo potencialmente prejudicial — e jovens estão cientes disso. De acordo com pesquisas sobre tecnologia e adolescentes feita pela Infobase Interativa em 2019, 64% dos adolescentes entrevistados estão diminuindo conscientemente o uso de suas redes sociais. E os motivos são vários: a sensação de passar muito tempo on-line, o desejo de mais privacidade, a falta de interesse e a percepção de que, por algum motivo, o uso trazia algum tipo de negatividade. A preocupação é também sobre o despontar de transtornos depressivos e de ansiedade – mas… sabia que as redes sociais não são a exata causa disso?

 

Redes sociais não geram problemas por si só

A psicóloga clínica Gabriella Meiglin Machado esclarece que as redes sociais não geram problemas psicológicos por si só: “Elas não criam nada, mas, se usadas de forma indevida, fomentam aquilo que já faz parte do indivíduo. Então para um jovem que já se sente inseguro sobre a própria aparência, passar tempo demais vendo fotos manipuladas e consideradas ‘perfeitas’ só potencializa essa característica”.

Os hábitos ruins que podem prejudicar o desenvolvimento emocional e social são vários: A contagem de curtidas, necessidade de autoafirmação por meio de fotos e legendas, a ideia de que pode estar perdendo eventos e passeios interessantes e a constante necessidade de checar suas notificações para buscar novas interações, por exemplo, são sinais de aumento da ansiedade: “Ela está muito ligada à necessidade de reconhecimento e aceitação. O jovem passa a ansiar por aprovações o tempo inteiro e acaba perdendo a noção de que nem sempre o que aparece na internet reflete a vida real”.

 

Cyberbullying

O isolamento social e a falta de interações no mundo real podem estimular comportamentos depressivos. Além disso, o cyberbullying — nome dado ao bullying sofrido on-line — pode ser um agravante da situação: “O adolescente pode internalizar todos os ataques e, ao comparar sua realidade à vida alheia, passa a achar mesmo que é uma pessoa fracassada”. O desenvolvimento desses sintomas, então só aumenta junto com a sensação de isolamento.

A distorção da imagem corporal também é um risco: “O jovem está exposto a fotos que valorizam um certo tipo físico e pode começar a buscar um corpo ideal que, na verdade, nem existe. Há inúmeros aplicativos de retoque e ver tudo isso sem saber que as imagens foram modificadas é nocivo e pode contribuir para o surgimento de transtornos psicológicos e alimentares”.

 

Como estimular o bom uso das redes sociais?

Gabriella esclarece que dar ferramentas para que os adolescentes lidem de maneira saudável com as redes sociais é essencial. E um diálogo respeitoso é o melhor instrumento para isso: “O controle rígido e as famosas ‘varreduras’ nos computadores e celulares não funcionam.” É preciso dar liberdade e entender os limites da privacidade dos jovens para que eles se sintam respeitados e validados. “Proibir o uso não é o caminho, já que, provavelmente, o jovem usará as redes escondendo tudo dos pais, o que não é saudável”. O conselho, na verdade, vale para o controle de excesso de qualquer situação! Chegar em um meio termo sobre controle e respeito é sempre importante – especialmente quando o objetivo é instruir o jovem para que cresça sempre consciente de seus limites em qualquer situação da vida.

“O melhor caminho é o diálogo, estabelecer um papo aberto, sem julgamentos e preconceitos. A conversa não deve ter um tom de cobrança, mas sim de instrução, explicando quais são os benefícios, os perigos e como se proteger.” De acordo com a psicóloga, a aproximação faz com que o jovem procure pelos pais ou responsáveis caso esteja com problemas. “O diálogo gera confiança!”, pontua.

 

É importante ressaltar que as próprias redes possuem recursos de prevenção e cuidado com esses sintomas. O Instagram , por exemplo, exibe uma mensagem amigável de ajuda para quem procura por tags como #ansiedade. Esse é um recurso que garante atenção para aqueles que podem precisar de ajuda, mas que talvez não saibam bem como pedir por ela.

Todos estamos unidos para uma internet de hábitos cada vez mais saudáveis, que sempre considere a saúde mental como prioridade! 🙂

Tem hora pra tudo. E a hora do papo sincero entre pais e filhos é uma das mais importantes! Que tal mostrar essas dicas para pais e mães que você conhece?

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4 Comentários

  • Enoely says:

    Excelente conteúdo.
    Tenho filha adolescente e esse tem sido o meu grande desafio com ela.
    Parabéns e que venham mais textos assim!

    • Dialogando says:

      Oi, Enoely! O importante é incentivar o uso saudável das redes sociais, principalmente no período da adolescência. Esperamos que esse conteúdo te ajude nesse desafio! Obrigado pelo seu comentário! ❤

  • Marcos Alves Lima says:

    Muito bom o conteúdo da matéria. Li esse final de semana uma matéria no portal UOL sobre a geração “Z”. Uma pesquisa feita aqui no Brasil e nos EUA trouxeram essa mesma visão: ativos no mundo virtual e inibidos no mundo real. O consumismo superando temas com o espiritualidade e vida em família. Precisamos alertar esses jovens que o domínio da tecnologia deve caminhar em paralelo com sua jornada pessoal, sem afetá-la ou conduzí-la a uma ausência de humanidade. Como no comercial da VIVO sobre a #temorapratudo, às vezes a melhor conexão é o olho no olho, o pegar pela mão, o abraço carinhoso e sincero. Abraços.

    • Dialogando says:

      Oi, Marcos, que bom que você curtiu o nosso conteúdo! É sempre bom incentivar o uso da tecnologia de forma consciente e de maneiras saudáveis! Continue acompanhando nossos conteúdos para mais textos como este 😉

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